O Boiando no Nilo nasceu no Cairo, ali perto de Kit-Kat. Agora tá boiando por aí, seguindo o curso no Tamisa, Tiete, Sena, Ganges.... Com o passar dos anos, a tripulação passou de duas pessoas para quatro, com a chegada da Mila e do Oliver, que agora ajudam a remar nosso barco pelas águas calmas e turbulentas da nossa jornada.
Friday, 26 October 2012
Tired of London?
Desembarquei em Londres há pouco mais de oito anos, com seis malas (vale ressaltar que não eram apenas minhas, eram do Julien também, que chegaria dois meses depois de mim. Ah, e algumas destas malas eram apenas pequenas bolsas...). Naquela época, eu E era uma jornalista cheia de sonhos, muitos deles que acabaram se realizando.
Comecei a trabalhar na BBC Brasil, que sem dúvida virou o auge da minha carreira, e cobri o conclave do papa, o G8, eleições argentinas, americanas, fiz várias reportagens especiais, fui correspondente no Cairo, viajei, viajei e viajei.
E não foi só a trabalho. Um dos nossos maiores desejos ao morar na Europa era conhecê-la e assim o fizemos! A Alemanha virou nossa ponte aérea e a França não ficou muito atrás. Espanha, Portugal, Itália, Bélgica, Holanda... E Londres foi nosso trampolim para a Tailândia, Estados Unidos e vários outros países mais distantes.
A cidade, que no primeiro inverno nos chocou com seu vento traiçoeiro e cortante que chegava a doer no osso, e nos maravilhou com os flocos de neve que vimos caindo silenciosamente pela primeira vez, foi virando cada vez mais a nossa casa. As ruas com casas vitorianas enfileiradas dos dois lados não pareciam mais iguais umas às outras. Os números dos ônibus começaram a ganhar apelidos, como o "três-oitão" e já não precisávamos analisar o complexo e emaranhado mapa do metrô para chegar aos endereços preferidos.
Mudar de endereço, aliás, parecia ter virado um dos nossos hobbies aqui. Moramos em 7 lugares diferentes e lembro que na nossa terceira mudança eu tinha me prometido que a seguinte seria apenas quando voltássemos ao Brasil... Yeah, right.
Também passei a não acreditar mais na nossa decisão de voltar, já que toda vez que discutíamos o assunto algo acontecia - ou nós criávamos uma situação - para ir ficando "só mais um pouquinho"...
O que nos prendia aqui? O clima não era, já que este país tem o dom de ter um verão relativamente decente a cada 5 anos. A comida? Inglesa, especificamente, não. Mas mundial, existente em qualquer bairro londrino, aí sim. Indiana, tailandesa, chinesa (nããããããoooo, nada parecido com os "China in Box" do Brasil, muuuito melhor!), vietnamita, ganesa, alemã, francesa, japonesa, árabe, israelense, e tantas outras! Ah, e os supermercados... Prateleiras lotaaaadas de seleções intermináveis de todos os queijos de cheiros, cascas e cores variados, quiches maravilhosos sempre com algum tipo de promoção para ser impossível levar um só, peixes, frutos do mar, chocolate Lindt a preço de banana, banana a preço de chocolate Lindt, limão a preço de caviar, e meu querido e amado iogurte grego Total, o melhor iogurte da face da terra.
Seriam os amigos que fomos fazendo ao longo destes anos que deixavam nossa volta mais difícil? Também uma forte possibilidade. Muitos chegavam aqui e voltavam pouco depois, o que doía no coração, pois no momento em que você sentia ter conquistado um amigo para a vida toda, ele te abandonava, prometendo que ia manter contato e nunca mais mandava sinal de vida.
Mas muitos ficaram. Alguns são de longa data, de muito antes de pousarmos aqui, onde a amizade só cresceu. Outros apareceram na nossa vida nas mais inusitadas situações. E dói deixá-los aqui. Me dá um aperto imenso pensar que alguns talvez eu só veja daqui a alguns anos. Mas sei que vou vê-los novamente.
Seria a yoga que comecei a praticar, sem expectativa nenhuma nem perspectiva de passar do primeiro mês de aulas, já que a mensalidade era caríssima? A Bikram Yoga me fisgou de mansinho e a vontade de voltar ao estúdio e fazer mais uma aula e mais uma e mais uma passou a ser incontrolável. O resto vocês já sabem... ;-)
Em 2009 chegou a Mila e passamos a ser uma família. Ela começou a ir para a creche, que foi tão maravilhosa para ela que passou a ser outro motivo para não querer mais ir embora. Será que no Brasil ela teria algo tão bom? Será que não seria melhor ela ir para a escola aqui a vida inteira?
Aí veio o Oliver, em pleno Ano do Dragão, que, porém, não foi muito promissor economicamente para nós aqui. E assim fomos, aos poucos, sendo empurrados para a decisão que desta vez tinha cara de ser para valer. Chegou a hora de voltar.
Deixo Londres em pouco menos de uma semana, com 26 caixas enviadas por navio e outras seis malas (desta vez, todas grandes. Mas, em minha defesa, agora há coisas das crianças também, além das do Julien!). Além de jornalista, virei instrutora de yoga, com novos sonhos, que também espero que se realizem.
E, além da querida família, que vai estar fisicamente perto de nós novamente (já que com o skype nunca nos desgrudamos totalmente), sabemos que temos outros amigos, daqueles para a vida toda, que sempre estiveram à nossa espera.
Será que foi a decisão certa? Será que não deveríamos ficar por aqui? A dúvida me atormenta quase que diariamente, mas só vou saber quando acontecer. E sei que o mais importante de Londres vai junto comigo no avião. A minha família. Onde quer que eu esteja, se estiver com meus outros três quartos, vou me sentir em casa.
Monday, 24 September 2012
Novo tripulante a bordo!
Culpa do Facebook e do Oliver. Várias pessoas que não estão no Facebook ainda não receberam notícias da chegada de mais um integrante sapeca, buni e escandaloso na nossa família! O Facebook requer apenas a publicação de uma foto e uma frase. Fácil e rápido. Aqui no blog a coisa é mais trabalhosa, é necessário ter tempo para contar como tudo aconteceu. E pegue um recém-nascido (agora já com 4 meses, mas se portando como um recém-nascido durante a noite), adicione uma menina de 3 anos e meio e voilá: o resultado é falta de tempo!
Sei que a maioria já sabe que o nosso Oliver chegou, no dia 25 de maio deste ano, mas acho que tenho obrigação de deixar sua chegada registrada aqui, como fiz com muitos dos outros momentos importantes da nossa jornada nos últimos anos!
Caso haja interesse, deixo aqui minha segunda experiência de parto em Londres. Sei que muita gente não dá a mínima para isso, principalmente os homens - que nunca vão ter um outro ser humano saindo de dentro deles - mas talvez algumas amigas minhas estejam interessadas.
Só para refrescar a memória de vocês, meu primeiro parto acabou em uma cesárea de emergência, bem diferente do parto na água, sem anestesia que eu tinha imaginado. Pois desta vez tinha decidido que tentaria tudo de novo. Com uma diferença: desta vez eu tinha em mente que tudo poderia acabar de uma forma diferente da desejada. Aqui, diferentemente do Brasil, os hospitais fazem a maior campanha pelo parto normal após cesárea, o que já me deixava na vantagem para seguir meus planos. Minha primeira dificuldade surgiu quando pedi que tivesse o bebê na água, algo que o hospital não quis permitir logo de cara, pois o argumento era que desta vez o bebê precisava ser monitorado constantemente por causa de risco de ruptura interna da cicatriz da cesárea (uma bobagem, porque a possibilidade de isto ocorrer é muito menor do que várias outras complicações de primeiro parto e nem por isso existe monitoramento constante nesses casos). Mas o problema foi contornado quando descobriram que havia uma forma de monitorar o bebê constantemente dentro da água.
Comprei um livro de hypnobirthing (hipnose para parto), um CD, e fiquei treinando as técnicas de relaxamento e respiração durante toda a gravidez. Chegou o dia em que minhas contrações começaram, quarta-feira, dia 23 de maio. Elas continuaram no dia 24, aumentaram depois de eu dar um passeio com a minha mãe - que desta vez conseguiu chegar antes do nascimento (com a Mila ela chegou com um dia de atraso) - e no começo da tarde já estavam vindo a cada 3 minutos, com certa intensidade. Lá fomos nós de táxi para o hospital! Confesso que estava empolgada!
Cheguei com uma dilatação de 4 cm, o que queria dizer que pelas regras do hospital eu ainda não podia entrar na banheira (o que pode acontecer é a água quente diminuir as contrações e o parto demorar bem mais). Ok, faltava só mais um centímetro para isso, mas a medição seguinte era apenas dali a 4 horas! As quatro horas seguintes pareciam 40. As contrações vieram com força total. E percebi que não estava entre o grupo de mulheres descritas no livro de hypnobirthing que não sentem dor na hora do parto. A dor era tamanha que me bateu desespero e achei que não ia conseguir continuar com aquilo sem a ajuda de algum método para aliviar meu sofrimento. Mas sou ariana cabeça-dura e tinha certeza que, se controlasse minha respiração e minha mente, eu ia conseguir aguentar o tranco! Tomei uns remédios homeopáticos e lembrei de uma história de um monge que li poucas semanas antes do parto. Ele estava meditando numa casa no meio do mato, em um lugar sem civilização por dezenas de quilômetros, e sofria da mais terrível dor de dente que ele já sentiu. Ele tentou de tudo para fazer a dor passar, mas ela não passava. Foi quando ele decidiu aceitar a dor. Deixar a dor entrar em seu corpo. Ele dormiu e acordou sem dor de dente.
Voltando à minha sala de parto, fechei meus olhos, e ouvindo a música do CD do hypnobirthing fiquei falando para mim mesma: "Pode entrar, dor. Faz o que você tem de fazer para o meu bebê sair." E repetia as frases que aprendi na minha aula de parto ativo com yoga: "Meu corpo sabe dar à luz. Meu bebê sabe como nascer." E consegui chegar num estado de paz. A dor estava lá, mas bem mais suportável, e cada vez que uma contração vinha eu sabia como controlar seus efeitos. O Julien me chamou de "master of pain", hahahaha!
Chegou a hora da segunda checagem de dilatação. Eu tinha dito à parteira que não queria que ela me dissesse o número de centímetros, apenas se eu poderia finalmente entrar na banheira. E ela disse: "Você foi muito bem, Andrea, está completamente dilatada!". E minha única reação foi: "Então posso entrar na banheira?" A parteira hesitou por um instante, pois sabia que começar a armar a banheira inflável neste momento iria dar o maior trabalho, mas fez a minha vontade.
Foi aí que a coisa toda desandou. A infeliz não sabia como montar a banheira, chamou ajuda, acenderam-se as luzes do quarto, começaram com um baita barulho de conversa sobre como a banheira deveria ser armada, e depois de desvendado o mistério um barulho horroroso de aspirador de pó começou para inflar a dita cuja. O estrago estava feito. Saí do meu momento zen, e as minhas contrações começaram a diminuir (às vezes acho até que foi uma forma de eu atrasar meu parto para poder entrar na água). A banheira estava enchendo a passo de lesma, com uma reles mangueirinha, e quando chegou num nível ridiculamente baixo, a parteira falou que eu poderia entrar na banheira. O que aconteceu em seguida foi tudo o que eu não queria. Minhas contrações diminuíram ainda mais e a parteira disse que eu deveria começar a fazer força para o bebê sair. Minha filosofia era contra fazer força sem sentir o corpo pedindo isso, mas após algumas horas uma médica me deu um ultimato: ou eu começava a "push" (empurrar) o bebê ou meu parto acabaria numa cesárea ou num fórceps. Com medo do pior, decidi começar a empurrar, só que da forma como eu havia aprendido no livro de hypnobirthing, "respirando o bebê para fora". A parteira estava ficando nervosa e repetia que assim ele não sairia a tempo e achou melhor eu sair da banheira.
Na cama, ela pediu para eu ficar naquela posição de dar à luz de cinema, deitada de barriga para cima, com os pés em apoios e pernas dobradas. Me recusei terminantemente de ficar naquela posição, que é contraproducente por ser completamente contrária à gravidade. Me ajoelhei na cama e me apoiei na cabeceira elevada e continuei com o processo de "push", agora já da forma que a parteira queria, pois estava desesperada para evitar um parto com instrumentos. Eu não parava de tossir, pois estava doente, com uma tosse incessante havia duas semanas, algo que certamente tirou parte da energia que eu precisava naquele momento.
Foram 7 horas no segundo estágio. E o Oliver não aparecia. Segundo a médica, meu tempo para tentar um parto sem instrumentos tinha se esgotado. O Oliver estava posicionado muito para cima para sair com a ajuda de ventosa e muito para baixo para sair por cesárea. Ele teria de ser arrancado de dentro de mim da forma mais traumática possível, com fórceps.
E lá fui eu para a sala de cirurgia. Tive de tomar uma anestesia, pois se o fórceps não funcionasse, uma cesárea de emergência teria de ser realizada. Tínhamos 3 tentativas com o fórceps. Uma parteira me avisava quando as contrações estavam vindo (já que eu não sentia mais nada) e eu empurrava enquanto a médica puxava a cabeça do coitado. Primeira tentativa sem sucesso. Segunda tentativa e... nada. Terceira. Era a última. Fiz a maior força que consegui fazer, e de repente vi um bebê sendo lançado em cima de mim. Era o Olli, todo ensanguentado, amassado, enrugado e marcado. Mas era o meu bebê. Para mim, o ser humano mais lindo da face da terra naquele momento. E chorei. De alegria do milagre de tê-lo em meus braços. De cansaço das 30 horas de parto. De decepção de mais uma vez ter tido um parto ruim. De culpa de não ter tido força para empurrá-lo para fora naturalmente. De dó de ter feito o Oliver passar por uma experiência tão ruim ao chegar neste mundo.
Mais uma vez a história se repetiu e, assim como a Mila, o Oliver teve de permanecer internado uma semana recebendo antibiótico na veia por causa de uma suposta infecção que até hoje não sei se ele realmente teve. Foi um sufoco cuidar dele sozinha (o hospital não permitia acompanhantes, apenas no horário de visita), com uma episiotomia e me sentindo como se eu tivesse corrido cinco maratonas.
Graças à Arnica que meu homeopata recomendou tomar logo após o parto, os hematomas e as marcas do forceps já estavam bem melhores no dia seguinte ao nascimento!
Mas o que conta é que aqui está ele. Saudável, lindo e sorridente. E se um dia eu me questionei se poderia amar alguém da mesma forma como amo a Mila, qualquer resquício de dúvida sumiu quando vi aquele serzinho indefeso nos meus braços pela primeira vez. Pedindo amor e atenção. Coisas que vou dar para ele ilimitadamente até o fim dos meus dias neste mundo.
Friday, 23 December 2011
Feliz Natal e um maravilhoso 2012!!!
Puxa vida, faz um ano que não atualizamos o blog... Desculpem pela ausência e aqui vai um curto relato de como foi 2011 para nós:
Tudo começou na Alemanha, na casa da minha eterna amiga Uli, quando ainda estávamos sem casa e sem paradeiro certo para a próxima semana. Depois de passar o final de 2010 viajando (final de setembro, outubro, novembro e começo de dezembro nos EUA, Natal na França e Ano Novo na Alemanha) estávamos à procura de um flat provisório em Londres, para terminar de tirar os passaportes britânicos da Mila e meu. Depois, deixaríamos a vida nos levar...
De repente comecei a dar um monte de aula de yoga em Londres e decidimos tentar a sorte por mais alguns meses aqui. O Julien começou a procurar emprego novamente e assim fomos, até abril, quando o casamento real nos deu uma ajuda de custo para continuarmos tentando ficar aqui mais um pouco. Os planos então passaram a ser ficar aqui até os Jogos Olímpicos do ano que vem, mas para isso, o Julien também precisava de um emprego fixo, afinal, professora de yoga em começo de carreira não ganha o suficiente para sustentar uma família inteira, ainda mais aqui nesta cidade onde os aluguéis são astronômicos (aliás, comecei a olhar preço de aluguel em Sampa e qual não foi minha surpresa ao ver que eles não são tão diferentes daqui! Caaaaros demaaaaaais!!!).
O Julien arranjou um frila meio fixo na Rede TV e no Terra e com isso até que estamos conseguindo segurar a onda para ficar aqui até os Jogos Olímpicos. Um outro bebezinho está a caminho e por razões de custos e filosofia de parto, resolvemos te-lo aqui em Londres.
A Mila está agora com 2 anos e 8 meses e a cada dia que passa fica mais esperta e engraçada. É muito louco ver a personalidade dela se desenvolvendo, vendo um ser humano cada vez mais pensante - ou seja, também com cada vez mais vontades e poderes para fazer vale-las!
Ela vai para a creche 4 dias por semana, o que fez com que o inglês virasse sua primeira língua. A gente insiste para que ela fale alemão comigo e português com o Julien, mas a coisa é difícil. Ela entende tudo o que a gente fala nas duas línguas, e existem palavras que ela só usa em alemão ou português no meio das frases dela em inglês. Mas é evidente que ela se sente mais confortável se expressando em inglês... Ah! E agora começou a ter aulas de francês na creche! Já conta até dez em francês e fala: "Comme ci, comme ça!" Uma coisa linda! A pronúncia do deux (dois) é perfeita, parece uma francesinha! ;-)
Ah, mas como todos que têm filhos sabem, nem tudo são flores. A pequerrucha passou por alguns momentos difíceis durante o ano. Com tantas mudanças de casas e viagens e fusos horários, a coitadinha custava a adormecer, e passou por várias fases escandalosas, em que só queria adormecer na sala, junto com a gente. A coisa acalmou e o único problema agora é que às vezes ela vai dormir bem tarde, por volta das 21h30, 22h. Aqui no Reino Unido isso é um absurdo, já que os coleguinhas de creche dela vão para a cama por volta das 19h30, 20h...
A Mila também anda querendo mandar na casa - e confesso que às vezes ela consegue. Uma pessoinha de menos de três anos de idade, mandando em dois adultos, que juntos têm mais de 70! Anda dificultando a nossa vida quando queremos sair de casa - e normalmente é quando estamos com pressa. Não quer se vestir, não quer escovar os dentes, não quer sair. Temos de chegar ao ponto de nos aprontarmos para sair, falar tchau, fechar e trancar a porta, para ela mudar de idéia...
Mas, sinceramente, não podemos reclamar. A Mila é uma criança muito sorridente, dá gargalhadas à toa, gosta muuuuuito de cantar (inventa tantas letras engraçadas), adora dançar e faz a gente se divertir muito, às vezes chorar de emoção só de ver a alegria que ela tem com tantas pequenas coisas para as quais nós, adultos, às vezes já ficamos cegos. Ver uma criança crescer realmente nos dá uma perspectiva diferente de vida e percebemos que muitas coisas que nos estressam e nos tiram do sério não têm a mínima importância. E começamos a saborear mais pequenos prazeres que a vida nos dá quase todo o dia.
Me sinto muito privilegiada de dividir minha vida com o Julien e com a Mila - e com meus pais também, mesmo à distância, já que nos falamos quase todos os dias pelo skype (outro presente do mundo digital que definitivamente faz as pessoas ficarem mais próximas. A Mila vive falando da "Oma" e do "Opa", que ela provavelmente não reconheceria se os visse chegando aqui em casa sem tê-los visto pelo skype com tanta frequencia!).
Desejo a todos vocês que comemoram Natal ou qualquer outro evento parecido neste fim-de-ano ótimas festas e um 2012 cheio de saúde, paz, felicidade, desejos sinceros realizados e momentos inesquecivelmente bons com as pessoas queridas. Não esqueça de nenhuma delas, são as pessoas importantes na nossa vida que a fazem valer a pena. E que todos nós sejamos mais generosos, porque dar, sem esperar nada em troca, é uma das melhores formas de criarmos um mundo melhor, em que todo mundo, sem exceção, sai ganhando.
Monday, 21 March 2011
Saturday, 25 December 2010
Feliz Natal!!!!
Bonecos de neve feitos por nós em Bréthencourt, França, onde passamos o Natal com o pai do Julien, Christophe, e sua namorada, Isabelle.
Wednesday, 24 November 2010
Tão perto...
Pensei muito no meu irmão durante estas últimas nove semanas. Chorei muito por ele, lembrei da dor que senti quando recebi a notícia de que ele tinha deixado este mundo, lembrei da dor que senti depois disso e que muitas vezes ainda sinto. E chorei, chorei, chorei.
Mas encontrei um pouco de conforto nesta frase de Yogananda e sinto que o amor do meu irmão está aqui comigo. E está com os meus pais e com todos aqueles que amam o meu irmão. Um discípulo de Yogananda, Swami Kriyananda, disse que certo tempo após a morte de Yogananda ele passou a senti-lo até mais próximo de si do que quando ele estava vivo. Ele disse o seguinte:
"It was a deep pain to lose my Guru. Over time, however, I came to understand that he hadn’t in fact left me at all. In a way, I found he was with me more than ever. While he was living, there was always the delusion that, although I could feel him in my heart, his body was over there — perhaps sitting in the next room. It is hard to separate the Master’s body from his over-arching consciousness. When he left the body it was easier to keep his presence wholly in my heart."*
Meu irmão não era meu guru e talvez não seja uma alma tão elevada quanto a de Yogananda. Mas sinto - e quero sentir para sempre - sua presença em meu coração. E como disse Yogananda a seus discípulos: 'To those who think me near, I will be near.'*
Te amo, Kizz. Obrigada por segurar na minha mão em todos os momentos difíceis pelos quais passei nas últimas nove semanas. Tenho certeza que foi você que me deu força para superar tudo da melhor forma possível. Feliz aniversário.
*(Fonte: Ananda Sangha - http://www.ananda.org/ananda/)
Thursday, 28 October 2010
Thursday, 21 October 2010
Enquanto isso na Sala de Justiça
Ok, não é nenhum trabalho pesado, é cuidar da própria filha, to na praia e muito principalmente ela tem 2 dias na creche que são um caminhão de tempo pra fazer outras coisas, mas o que na verdade é basicamente tempo pra ir no supermercado....
Sério, não é nenhum sacrifício, muito pelo contrário, mas cansa pra caraio...
Dito isso, nesse 1 mês por aqui várias situações e experiências aconteceram e eu pensava: vale um blog.....mas em temos de facebook e twitter é mais fácil escrever um pouco e cola um foto ou um vídeo, it's done!
Então vamos lá, pelo menos umas considerações:
É uma terra de gigantes esse tal de USA, tudo é tamanho XXL, galão de leite, caminhonetes 4x4 cabina tripla, 30 metros de comprimento(mas que nunca viram um chãozinho de terra batida). Roupa, ruas, casas, máquinas de lavar roupa, supermercados....bom, até aí nenhuma novidade, mas vendo impressiona. Quando estivemos em NY lá pros idos de 2005 não deu pra pegar essa impressão de maneira tão real, afinal mesmo com as dimensões e guardadas as devidas proporções NY e Sampa são lá parecidas.
Mas aqui nessa tal de California é que a gente vê aquela vida de TV americana e percebe-se o quanto eles tem tanto enquanto boa parte do mundo (e aqui mesmo) tem tão pouco.
Nunca vi e possivelmente nunca verei tanto Mustang na vida, novo, velho, pintado, conversível e aí vai, e é muito, mas muito engraçado ver aquele Mustang preto zerado estacionando no supermercado e lá de dentro sai aquela senhora, mãe e possivelmente avó indo fazer suas comprinhas da semana, sabe aquela senhora de meia idade que vc vê no Pão de Açúcar? Exato: é ela. E isso vale pra caminhonete irada também, aquelas Dodge gigantes que playboy dirige na Faria Lima? Aqui tem senhora chinesa de lenço com bob no cabelo....
As praias, ahhh as praias....po não são as mais bonitas que já vi, mas rola um clima bacana, surfistada, galera e família em harmonia, pelo menos até onde vejo. Pode ser por causa da lei que proíbe a marvada, é meu rei, breja não pode na praia, mas acho que não, sei lá...ah, e também não pode fumar, seja qual for o cigarro. Falando nisso, dia 2/11 tem as eleições por aqui e como tem coisa que realmente funciona nessa terra da Democracia, eles também votam leis junto com os safados (ou bastards por aqui) políticos e na California eles vão votar entre outros o projeto de Lei 19, que defende a legalização, controle e taxação sobre a cannabis, assim como é no álcool e no cigarro, parece lógico não? Não to sabendo de pesquisa pra saber se a galera aprova ou não, mas pelo que li e vejo por aqui acho que vai rolar um Amsterdam de tamanho “estadual” americano double XL. Escutei no rádio que as ONGs e os do lado do “bem” em Tijuana estão contando com a lei para cortar 70% ou mais do lucro que os traficantes da região tem com a erva.
Vale a pena ficar de olho pra saber o resultado.
Ah, sushi, po tem sushi de sobra na área, só perto de casa tem uns 10 restaurantes e o esquema é show! Não é tão barato e esquema como um bom rodízio, mas é “serrrrvido” e da melhor qualidade.
Ah bom, comer aqui também XL, vira e mexe tamos voltando pra casa com sobras. O que deixou a desejar até o momento é a pizza....contando os dias para NYC!
Tá muito estranho ficar 4(agora 5) horas antes do Brasil e 8 da Inglaterra, assistir jogo de futebol as 07 da manhã de fim de semana então....mas ver jogo do Coringão em horário de gente é impagável, pena que o time deu essa derrapada....mas tem problema não, tamo na luta e é nóis mano!
Bom, com tudo isso, uma primeira impressão da Sandi (San Diego para os íntimos) é que é bão demais, grande, bonita, sem transito, tem de tudo, tanto que tá cheia de gente endinheirada (no bairro de La Jolla vc não sabe se o que tá ali é casa ou Hotel 5 estrelas....coisa ridícula.
Mas sei lá, falta algo ou tem algo demais....de qualquer maneira, é a fucking California e tem hora que eu to dirigindo e de cada 5 músicas que tocam no rádio umas 4 eu olho pra fora e realmente parece cena de filme, rock&roll parece que nasceu pra se tocar por aqui.
Por fim, tem um video que gravei ontem depois de um dia de chuva FDP que cai uma vez em cada 10 anos por aqui. Tava dirigindo pra casa e me deparo com um pôr do sol sensacional...a Mila perdeu, infelizmente, mas se você perguntar ela não tava nem aí.
Buenas, talvez antes do mês que vem eu escrevo mais.
Thursday, 14 October 2010
Thursday, 30 September 2010
Monday, 26 July 2010
Turbilhão de novidades
Do último post para cá, a Mila entrou na creche, eu voltei ao trabalho (meio-período) e... saí do trabalho. Definitivamente.
Vamos em partes: a Mila acabou entrando naquela mesma creche onde ela passou um dia de experiência. Só que, diferentemente daquela época, ela já estava um pouco maior e a adaptação com as outras crianças foi bem mais fácil. Tudo bem, a nossa pequerrucha continuava sendo a mais nova e era a única que ainda não estava andando, mas isso foi mais porque ela começou a andar tarde do que pela diferença de idade (o segundo bebê mais novo tem dois meses a mais do que ela). Ela vai à creche por meio período três vezes por semana e AMA ir para a creche - e acho que eu também amaria, porque as pessoas que cuidam dela são muito, muito legais, a comida é toda orgânica e semi-vegetariana (tem peixe) e o cardápio é bem interessante (como panquecas de espinafre com ricota, jacket potatos com baked beans, queijo e atum, chilli vegetariano com arroz e feijão), e eles fazem inúmeras atividades durante o dia (recebemos uma programação toda segunda-feira, explicando o que será feito durante a semana, em que áreas de desenvolvimento eles vão focar e como). Enfim, a baixinha está bem-encaminhada, entrosada, agora já anda com os outros e quando chega na creche já tem umas outras mini-gentes falando "Mila! Hello, Mila!".
E eu voltei ao trabalho, o que foi um tanto quanto traumático no início. Estava bem feliz de rever os colegas na seção e deu para matar as saudades do clima de redação, mas passei a exercer a função que menos gosto, que é trabalhar na parte de Internet. Além disso, só tinha meia hora de almoço, o que fazia com que todo mundo saísse para almoçar enquanto eu ficava responsável pela página em uma redação vazia e quando todos voltavam do almoço, devidamente alimentados e com sua parcela de socialização cumprida, eu saía correndo para comprar alguma comida e engolfá-la antes de voltar a digitar como uma louca.
Quando saía do trabalho, às 15h, voltava diretamente para a casa, pois ainda estava (e estou) amamentando a Mila. Logo depois de mamar, corria para a yoga. Depois, jantar da Mila, banho e mais uma mamada antes de ela dormir. E depois, finalmente, a nossa janta. E cama. Torcendo para a Mila não acordar para mamar durante a noite para tentar descansar antes de mais um dia corrido. Só que pelo menos duas ou três vezes por semana ela acordava de madrugada...
Por outro lado, sabia que tudo isso tinha data para acabar. A BBC Brasil abriu um programa de demissão voluntária no final do ano passado e, depois de muita reflexão e de pesar os prós e contras, decidimos que pode ser a hora de, aos poucos, iniciar o processo de retornar ao Brasil. Não foi uma decisão fácil. Nunca fiquei tanto tempo em um emprego e não era simplesmente por falta de opção. Era porque amava trabalhar lá, aprendi muito, fiz coberturas maravilhosas, viagens inesquecíveis, matérias que me deram muito prazer em fazer, filmar, gravar, editar, escrever. Mas a Mila chegou e sabia que nos primeiros anos de vida dela tudo também seria diferente no trabalho. Então, a decisão foi pelo menos sair com um pacote de demissão.
Meu chefe pediu para eu trabalhar até o fim da Copa. Portanto, quando meus pais vieram nos visitar, infelizmente, ainda estava trabalhando, o que resultou em mais um período corrido, de trabalho, yoga, amamentação e sempre que possível, passeio com meus pais, afinal não é sempre que eles estão aqui e queria aproveitar ao máximo o tempo com eles!
A Copa terminou, meus pais voltaram ao Brasil, eu saí do trabalho (o que não foi - e ainda não está sendo - fácil) e agora estou me dedicando ao nosso próximo projeto: curso de formação de professor de yoga. Há quatro anos, comecei a fazer Bikram yoga (26 posições de hatha yoga brilhantemente combinadas por um indiano chamado Bikram Choudhury, praticadas em uma sala aquecida a 40ºC) e fiquei completamente apaixonada pela prática e pelos efeitos no meu corpo e no meu espírito. Viciei tanto que só de pensar em voltar ao Brasil e não praticá-la mais (apesar de existirem centenas de estúdios pelo mundo, ainda não existem estúdios de Bikram yoga no Brasil), me dava tristeza. E decidi que esta não era uma opção.
Decidi fazer o curso de formação de professores de Bikram yoga, que ocorre duas vezes por ano, durante 9 semanas, normalmente nos EUA (é onde o Bikram vive e ele que dá o curso). Quando pensei em fazer o curso, queria apenas conhecer a prática suficientemente bem para poder fazê-la sozinha no Brasil, mas a idéia foi crescendo, passei a ter vontade também de passar essa experiência maravilhosa para outras pessoas e assim decidi virar professora. E desta idéia para o plano de abrir um estúdio de Bikram yoga no Brasil foi apenas um pulinho.
Ainda não sabemos se o plano vai funcionar (não sei nem se vou sobreviver sem jornalismo na minha vida), mas estamos caminhando nesta direção. Passei a treinar mais intensamente para o curso (já que lá vou ter de fazer 2 aulas de pelo menos 1h30 por dia, além de aulas de anatomia, filosofia da yoga, etc, etc, e workshops das poses da série), a decorar o texto da aula (a aula são 90 minutos falados non-stop pelo professor) e em setembro voamos para San Diego, Califórnia! Eu tenho de ficar obrigatoriamente hospedada no hotel onde será realizado o curso e o Julien e a Mila provavelmente ficarão em um flat próximo ao hotel (com piscina e churrasqueira, naaada mal...).
Sei que nem todos se interessam pelo assunto, mas pretendo abrir um blog para contar minha experiência no curso, que todos os ex-alunos descrevem como uma experiência que mudou sua vida completamente. Assim que o blog estiver ativo, vou colocar o link aqui.
São muitas mudanças, estamos extremamente ansiosos, tem dias que me dá uma tremenda dor-de-barriga, uma insegurança de não saber ao certo o que vai acontecer daqui para a frente, mas mudanças são boas. Ajudam-nos a crescer. E nunca é tarde para se reinventar, como diz o próprio Bikram: "It's never too late, it's never too bad, and you're never too old or too sick to start from scratch once again."
Monday, 3 May 2010
Um caso de amor e ódio

Normalmente, assim que um turista chega a Londres ele se depara com a maravilha do metrô - ou o "tube", como é chamado aqui - que o leva para todos os pontos que ele quer conhecer na cidade (isso depois de um certo período de adaptação em que se corre o risco de pegar o trem para a direção oposta ou mesmo para a direção certa, mas rumo à bifurcação errada).
Tenho lembranças saudosistas da Central Line, que me levava de Queensway a Holborn todos os dias em 2004, quando cheguei a Londres, e até hoje quando uso a linha e ouço a voz gravada que anuncia as estações meu coração se enche de emoção e alegria, exatamente o que senti quando cheguei aqui na cidade. Também me emocionei a primeira vez que ouvi a famosa gravação "Mind the gap" no metrô e até gravei a frase e outros sons na estação para uma de minhas matérias de rádio.
Passados seis anos, tenho de confessar que a emoção se restringe à Central Line, porque a cada dia que entro no metrô percebo que "nossos santos não batem". Quando comecei a andar de bicicleta, abandonei o metrô e o ônibus. Era muito mais rápido chegar aos locais de bike, driblando o trânsito e ainda aproveitando para exercitar o corpo e respirar ar puro. Mas depois da Mila voltei a ser freguesa do ônibus - mas já estou começando a pensar em comprar uma daquelas cadeirinhas para colocar na garupa da bike para transportá-la, porém não conto muito com a simpatia do Julien para isso.
Evito o metrô por vários motivos: primeiramente porque, apesar de a cidade ser bastante simpática para cadeirantes de rodas e carrinhos de bebê, o metrô foge à regra. Existem pouquíssimas estações com elevador e sempre tem alguma escada de degraus entre uma escada rolante e outra. Além disso, muitas vezes você tem de trocar de trem e fazer vários "desvios" por baixo da terra para chegar em algum lugar onde você chegaria com um simples ônibus em linha reta. Também é muito mais caro do que o ônibus. E confesso que às vezes me bate um pequeno medinho - e isso vale para os dois meios de transporte - de um fanático se explodir lá dentro. No metrô o medo é um pouco maior, talvez por você se sentir encurralado, dentro de um túnel, longe da luz do dia e sem saída.
Outro motivo, já externado acima, é que o metrô parece sentir que eu o evito. Quando nossos caminhos são obrigados a se cruzar, sofro. Tento pegar o trem (normalmente já estou atrasada e é por isso que recorro a ele) e me deparo com a infeliz surpresa de ele chegar lotado a ponto de não ter espaço nem para minha bolsa. Espero o próximo. Também lotado. Espero o próximo. Lotado, mas cabe a bolsa. Espero o próximo. Lotado, mas já sem paciência me espremo entre os passageiros e, suando no meio de tanta gente e coberta de casacos sem poder me mexer naquela sauna, fico me perguntando por que não saí mais cedo de casa... E a gente ainda paga caro...
Ontem o metrô resolveu me castigar de novo. Saí com folga para a minha yoga e sentei no trem. A algumas centenas de metros da minha estação de destino, o trem pára. E não se move durante vários minutos. Pronto. Já perdi a respiração do começo da aula. A condutora, altamente educada como a maioria dos britânicos, explicou que houve um problema na estação seguinte e que nós iríamos voltar a andar "shortly" (sim, eles são assim, beeem específicos...). O shortly levou 20 minutos. E não só perdi a respiração inicial da aula, como também a primeira pose e ainda tive de suplicar para poder entrar no estúdio após 15 minutos de atraso.
Uma hora e meia depois, devidamente relaxada do estresse para chegar na aula, lá vou eu encarar o meu carma para voltar para a casa, onde tinha de chegar logo, já que a Mila precisava mamar antes de dormir. Sim, aconteceu de novo. O trem resolveu "dar um tempinho" na estação de Euston...
O metrô de Londres pode ser uma maravilha para os turistas, que se perdem (com todo o direito) nos ônibus. Pode levar muita gente ao trabalho, é a forma mais barata para ir ao aeroporto de Heathrow e nos salva em dias de atraso. Mas, desculpe, tube, sempre que possível prefiro me jogar nos braços da minha magrela ou do ônibus.
Sunday, 28 March 2010
Sunday, 21 March 2010
A segunda primavera

Há um ano a Mila chegou, a flor mais linda de todas, anunciando o começo da primavera. E hoje, um dia após o começo de mais uma, ela completou um ano de vida neste mundo. E nem parece que só passaram quatro estações de lá para cá!
No dia 21 de março do ano passado, ela era um bebezinho minúsculo, com um pouco mais de 3 kg, que não conseguia segurar a própria cabeça e não tinha idéia de como tirar leite daquele peito em frente à cara dela. Neste 21 de março, virou uma bebezona (sim, porque para nós ela nunca vai deixar de ser o "nosso bebê") de quase 9 kg, que engatinha para tudo quanto é lado (anda também - aliás adora - mas por enquanto só com apoio), bate palma, dá tchauzinho, come sozinha, mama do peito como se tivesse anos de experiência e dá muita, mas muita risada.
O nosso apartamento, cujos resquícios de infância se restringiam a dois bichinhos de pelúcia (meus) e um Mr. Incredible falante (do Julien), virou um playground, com brinquedos espalhados em todos os cômodos.
Para comemorar a alegria de ter a Mila na nossa vida - já que ela mesma não vai lembrar muito desta data - chamamos alguns amigos para festejar e a esperança era de celebrar o começo da primavera (e o começo da segunda primavera da Mila) no parque em frente de casa. Eis que ontem o nosso castelinho de areia desaba com a chuva que caiu o dia todo, céu cinzento, vento cortante. Isso depois de uma semana linda, em que a temperatura chegou a divinos 17 graus! Sim, lembrem-se que isto é Inglaterra e aqui se comemora 17 graus no fim do inverno... A previsão do tempo não ajudava para termos uma idéia de como ficaria o tempo no dia seguinte, já que mudou quatro vezes durante o dia.
Mas dia 21 é o dia da Mila e o nosso pequeno sol radiante atraiu o sol maior e a comemoração no parque deu certo! A festinha da Mila teve direito a mini-salgadinhos (coxinha, risolis, quibe, empadinha e bolinha de queijo - aliás, se alguém em Londres precisar do contato da moça que fez, eu passo. Divinos!), bolo de chocolate (o Julien tentou enfiar um pedaço goela abaixo da Mila, mas a buni não quis saber, só queria comer pão!), brigadeiro e bexiga! Ah, e presentes, claro!
E tudo isso para a nossa filhinha! Que sensação boa! Obrigada a todos os queridos amigos que vieram e deixaram este dia ainda mais especial! Obrigada aos avós todos que mandaram os parabéns de novo e que eu sei que adorariam estar aqui para dar um abraço e um beijo nesta coisinha linda.
Obrigada, Mila, por nos emocionar, nos fazer dar muita risada e nos encantar com suas descobertas, brincadeiras e travessuras!
Somos os pais mais sortudos do mundo! Te amamos muito, muito, muito!!!!
Friday, 12 March 2010
O que uma capa doida do Orkut não faz!
Entre esses povos estão os Indianos, a galera do curry adora uma internet como nós e o Orkut lá é sucesso, tanto que em março do ano passado na capa do Orkut estava uma mensagem para os Indianos com o "Happy Holi".
Eis que a galera no Brasil resolveu dar uma goolgada no termo e para a nossa estupefata surpresa bombou o Boiando!!
E só ficamos sabendo agora!!!huahuahhauhua sensacional!!!
O poder da internet sentida na pele. Veja no link:
http://boiandononilo.blogspot.com/2008/04/happy-holi.html
E antes que eu me esqueça: Happy Holi!!!
Friday, 26 February 2010
Sunday, 31 January 2010
Full-time job

Dez meses de Mila depois e eu que não queria nem ouvir falar em voltar ao trabalho e largá-la em uma creche, comecei a pirar aqui em casa com a overdose de Mila (na semana mais difícil e trabalhosa dela depois dos primeiros 3 meses de vida), com o frio lá fora que nos impede de bater muita perna e com a solidão (ou melhor dizendo, a falta de companhia com idade de dois dígitos - em anos, não meses!).
Foi aí que decidi voltar ao trabalho antes do previsto. Colando a minha licença-maternidade nas férias que sou obrigada a tirar ainda neste ano fiscal (que termina em março), voltaria à BBC no meio de maio. Mas decidi voltar antes, talvez meio de março, isso se eu encontrasse uma creche assim, de última hora.
O problema é que vaga na creche aqui é mais concorrida do que vaga na USP e, apesar de termos nos candidatado em duas creches do bairro com muita antecedência, como não tínhamos previsto nada para março, perdemos a vaga para esta data.
"Ah, mas tem uma vaga no 'toddlers group', e no fim de março ela já vai ser uma toddler", disse a atendente em uma das creches. Fiquei um tanto insegura, afinal, a Mila está longe de ser uma toddler, afinal, ela ainda não anda - nem engatinha - e não tem nem um ano de idade. Pelo que entendo, toddler são crianças entre 12 e 36 meses, mas como bem me disse a diretora dessa creche quando fomos conhecer o local, a decisão de passar alguém do 'baby group' para o 'toddler group' depende muito mais de desenvolvimento individual do que de idade.
Então na última sexta-feira fomos lá, Mila e eu, brincar por 1h30 no toddlers group para ver se a Mila estava 'apta' a entrar no grupo em março.
Quando vi aquele monte de mini-pessoinhas correndo de um lado para o outro, escalando sofá, subindo escadinha para descer no escorregadorzinho, brincando de casinha de boneca e batendo um no outro por não querer dividir o brinquedo, e aí olhei para a minha pulguinha linda, sentadinha em um canto, admirada com a movimentação, enfiando todos os carrinhos do chão na boca, senti um certo desconforto.
Larguei a Mila com os leões e fui dar uma espiada no babies room. Engatei no maior papo com a monitora italiana, vi uma mãe chegando com uma bebê com a idade da Mila e uma sacola cheia de coisas que a monitora tinha pedido para realizar atividades com os bebês, vi outro bebê tentando se equilibrar segurando em uma mesinha, tudo era a cara da Mila naquele lugar... Mas não tinha vaga ali, então voltei ao toddlers room, bem na hora do lanche.
Lá estava a Mila devidamente acomodada na ponta da mesa, em uma cadeirinha para bebês (aquelas que encaixam na mesa) - enquanto que todas as outras crianças estavam sentadas em cadeirinhas de verdade. Todos ganharam um potinho com duas fatias de pêra e um punhado de uvas passas. A Mila ganhou só as pêras, pois com as uvas ela poderia se engasgar. Torci para que ela não fizesse feio, já que às vezes ela gosta de brincar com a comida. Não desta vez, pelo menos! Ela comeu os dois pedacinhos de pêra! Todos tinham seus copinhos de água, trazidos de casa. Fui correndo pegar o dela no hall de entrada, mas foi um tanto quanto inútil, pois a Mila não consegue tomar água sozinha ainda e nenhum monitor segurou o copinho para ela.
A Mila ficou maravilhada com as crianças maiores, gostou do ambiente, mas meu sexto sentido de mãe ficou com a pulga atrás da orelha. E acabei desistindo de colocá-la no grupo. Não acho justo apressar o desenvolvimento da minha pequena só porque não aguento mais ficar em casa. E não posso pagar praticamente o salário que eu iria receber trabalhando meio-período para deixá-la em um lugar que nem é o ideal para ela.
E como bem disse minha amiga Malu, se eu voltar mais cedo ao trabalho vou acabar me arrependendo de não ter aproveitado este tempo precioso que poderia ter ficado a mais com a Mila. Afinal, ela vai crescer rapidinho e tudo isso que estou vivendo com ela vai ficar no passado.
Pois bem, então até o meio de maio estarei aqui, cozinhando, lavando, limpando, sofrendo com as crises de choro e reclamação, pegando a Mila no colo para consolá-la, acompanhando cada passo de seu desenvolvimento, dando muita risada com suas travessuras, indo para as aulas de natação, saindo para passear com ela e aproveitando cada segundo ao lado de uma das criaturas mais importantes da minha vida! E acho que foi a decisão certa!
Wednesday, 20 January 2010
Que pé gostoso!
No jantar, preparei um verdadeiro banquete, com formatos e texturas diferentes, para ver se a pequena se empolgava: arvorezinha de brócolis e um pedaço de cenoura cozida (ela está na fase que não quer mais saber de ser alimentada com papinha na colher), um pedaço de truta (temperada com limão, alho, manteiga e ervas), e um pouco de purê com batata, cenoura e maçã, para pegá-la em algum momento de distração... Depois de uma hora, muita brincadeira com o brócolis e a cenoura, vários pedacinhos de peixe engolidos e o purê ter virado sobremesa com um pouco de iogurte, até que ela comeu! Sobrou pedaço de comida no cadeirão, mesa, calça da mãe, pantufa da mãe, meia refeição no chão e uma Mila toda lambuzada, mas parece que ela foi dormir satisfeita (depois de uma última mamada, claro)!
Ufa! Amanhã começa outra batalha! Êta fase! Isso porque ela era tão boa de garfo! Talvez eu devesse incluir pé de Mila no menu:
Wednesday, 23 December 2009
Pink Stinks
Depois do ultrassom que revelou o sexo do meu bebê, cheguei na redação, feliz da vida para anunciar que era uma menina e logo acrescentei: "Mas peloamordedeus, não me encham de roupas cor-de-rosa!", sob protestos das minhas colegas.
Nunca gostei muito da cor. E acho um absurdo ser obrigada a vestir minha filha de rosa dos pés à cabeça só porque ela é menina.
E não estou só. Recentemente, o jornal britânico The Guardian publicou uma matéria que gerou bastante polêmica, sobre duas irmãs que resolveram iniciar uma campanha chamada PinkStinks para acabar com essa doença das meninas por pink, rosa, seja lá como chama a cor.
A matéria é bem interessante e começa com um fato novo para mim: rosa era a cor de meninos até pelo menos 1927, porque era considerada uma cor mais forte, muitas vezes associada a sangue, enquanto que azul era uma cor mais delicada, mais apropriada para meninas, associada à Virgem Maria.
A doença rosa parece ser mundial. Lá na Inglaterra (ah, para os desavisados, estamos no Brasil, aproveitando muuuuito o verão!) muitas meninas se cobrem de pink, algumas mães andam de carrinhos de bebê pink e elas próprias também estão vestidas de pink. Aqui no Brasil, fiquei besta ao ver que a C&A tem uma seção toda pink, acho que da Barbie, e a propaganda da Barbie na TV abraçou a bandeira de "viva o rosa", porque é "fashion".
Como ressalta bem a matéria do Guardian, o resultado disso é uma menina que não usa a cor se sentir excluída da turma, numa idade que a aceitação do grupo de amigas é tudo. E assim, crescem várias mulheres-objeto, que viram aqueles bombons sonho-de-valsa estilo Paris Hilton.
Outra observação pertinente da matéria: por quê é tão importante definir o sexo de um bebê? Por quê eles não podem ser unissex e usar qualquer cor?
Ao ouvir que eu não queria nenhum presente rosa para a Mila, minha amiga Iracema, que é mãe de uma menina (aliás, vai ganhar um menino em breve e teve de se desfazer de um mar de roupas rosa), logo avisou que seria impossível se livrar da cor. A Mila tem coisas rosa - a maioria recebida de presente - e algumas são bem bonitinhas e ela usa (é bom avisar aos amigos que deram coisas rosa que ela está usando tudo, hehehe!).
Não sou anti-pink, mas tento tratar a cor como outra qualquer do guarda-roupa da Mila e sempre que ela está com algo rosa, o resto é marrom ou cinza ou alguma outra cor mais neutra. Mas confesso que, ultimamente, tenho ficado até um pouco orgulhosa quando confundem a Mila com um menino...
Sunday, 29 November 2009
Achou!
É porque nos primeiros meses de vida do bebê, eles ainda não têm noção de que algo que não está na frente deles continua existindo e que só se escondeu durante um certo tempo para depois voltar. Na mente deles - louquíssima, e pena que não temos memória disso - tudo o que some da frente deles desapareceu, não existe mais. Ou seja, eles vivem em um mundo mágico em que coisas aparecem e desaparecem do nada o tempo todo.
Mas há algum tempo a Mila vem se divertindo muito conosco desaparecendo e reaparecendo de trás do sofá, da parede, da porta. E parece que ela também começou a gostar de se ver desaparecendo e reaparecendo, como neste vídeo.







