Saturday, 25 December 2010

Feliz Natal!!!!


Bonecos de neve feitos por nós em Bréthencourt, França, onde passamos o Natal com o pai do Julien, Christophe, e sua namorada, Isabelle.

Wednesday, 24 November 2010

Tão perto...

Como muitos devem saber, nos últimos dois meses fiz um curso para virar professora de Bikram Yoga. Em uma das últimas aulas, dada pela Rajashree (mulher do Bikram), ela encerrou os 90 minutos mencionando o que Paramhansa Yogananda (irmão de Bishnu Ghosh, que é o guru do Bikram) disse a seus discípulos quando lhe perguntaram se ele os abandonaria na hora da morte: "Meu amor sempre vai estar com vocês." E na hora pensei no meu irmão.

Pensei muito no meu irmão durante estas últimas nove semanas. Chorei muito por ele, lembrei da dor que senti quando recebi a notícia de que ele tinha deixado este mundo, lembrei da dor que senti depois disso e que muitas vezes ainda sinto. E chorei, chorei, chorei.

Mas encontrei um pouco de conforto nesta frase de Yogananda e sinto que o amor do meu irmão está aqui comigo. E está com os meus pais e com todos aqueles que amam o meu irmão. Um discípulo de Yogananda, Swami Kriyananda, disse que certo tempo após a morte de Yogananda ele passou a senti-lo até mais próximo de si do que quando ele estava vivo. Ele disse o seguinte:

"It was a deep pain to lose my Guru. Over time, however, I came to understand that he hadn’t in fact left me at all. In a way, I found he was with me more than ever. While he was living, there was always the delusion that, although I could feel him in my heart, his body was over there — perhaps sitting in the next room. It is hard to separate the Master’s body from his over-arching consciousness. When he left the body it was easier to keep his presence wholly in my heart."*

Meu irmão não era meu guru e talvez não seja uma alma tão elevada quanto a de Yogananda. Mas sinto - e quero sentir para sempre - sua presença em meu coração. E como disse Yogananda a seus discípulos: 'To those who think me near, I will be near.'*

Te amo, Kizz. Obrigada por segurar na minha mão em todos os momentos difíceis pelos quais passei nas últimas nove semanas. Tenho certeza que foi você que me deu força para superar tudo da melhor forma possível. Feliz aniversário.

*(Fonte: Ananda Sangha - http://www.ananda.org/ananda/)

Thursday, 21 October 2010

Enquanto isso na Sala de Justiça

Cara, difícil começar esse blog....além da minha costumeira preguiça de escrever eu to cansado pra kct...tudo bem, não to no esquema semi-militar da Andrea lá no curso, má negô, acordar todo dia por volta das 07am e já começar a labuta de cuidar da Mila até a hora que ela vai dormir e ainda depois ainda ter que lavar louça, roupa, varrer casa, fazer rango pros dias que ainda vem e tudo sozinho né mole não.

Ok, não é nenhum trabalho pesado, é cuidar da própria filha, to na praia e muito principalmente ela tem 2 dias na creche que são um caminhão de tempo pra fazer outras coisas, mas o que na verdade é basicamente tempo pra ir no supermercado....

Sério, não é nenhum sacrifício, muito pelo contrário, mas cansa pra caraio...

Dito isso, nesse 1 mês por aqui várias situações e experiências aconteceram e eu pensava: vale um blog.....mas em temos de facebook e twitter é mais fácil escrever um pouco e cola um foto ou um vídeo, it's done!

Então vamos lá, pelo menos umas considerações:

É uma terra de gigantes esse tal de USA, tudo é tamanho XXL, galão de leite, caminhonetes 4x4 cabina tripla, 30 metros de comprimento(mas que nunca viram um chãozinho de terra batida). Roupa, ruas, casas, máquinas de lavar roupa, supermercados....bom, até aí nenhuma novidade, mas vendo impressiona. Quando estivemos em NY lá pros idos de 2005 não deu pra pegar essa impressão de maneira tão real, afinal mesmo com as dimensões e guardadas as devidas proporções NY e Sampa são lá parecidas.

Mas aqui nessa tal de California é que a gente vê aquela vida de TV americana e percebe-se o quanto eles tem tanto enquanto boa parte do mundo (e aqui mesmo) tem tão pouco.

Nunca vi e possivelmente nunca verei tanto Mustang na vida, novo, velho, pintado, conversível e aí vai, e é muito, mas muito engraçado ver aquele Mustang preto zerado estacionando no supermercado e lá de dentro sai aquela senhora, mãe e possivelmente avó indo fazer suas comprinhas da semana, sabe aquela senhora de meia idade que vc vê no Pão de Açúcar? Exato: é ela. E isso vale pra caminhonete irada também, aquelas Dodge gigantes que playboy dirige na Faria Lima? Aqui tem senhora chinesa de lenço com bob no cabelo....

As praias, ahhh as praias....po não são as mais bonitas que já vi, mas rola um clima bacana, surfistada, galera e família em harmonia, pelo menos até onde vejo. Pode ser por causa da lei que proíbe a marvada, é meu rei, breja não pode na praia, mas acho que não, sei lá...ah, e também não pode fumar, seja qual for o cigarro. Falando nisso, dia 2/11 tem as eleições por aqui e como tem coisa que realmente funciona nessa terra da Democracia, eles também votam leis junto com os safados (ou bastards por aqui) políticos e na California eles vão votar entre outros o projeto de Lei 19, que defende a legalização, controle e taxação sobre a cannabis, assim como é no álcool e no cigarro, parece lógico não? Não to sabendo de pesquisa pra saber se a galera aprova ou não, mas pelo que li e vejo por aqui acho que vai rolar um Amsterdam de tamanho “estadual” americano double XL. Escutei no rádio que as ONGs e os do lado do “bem” em Tijuana estão contando com a lei para cortar 70% ou mais do lucro que os traficantes da região tem com a erva.

Vale a pena ficar de olho pra saber o resultado.

Ah, sushi, po tem sushi de sobra na área, só perto de casa tem uns 10 restaurantes e o esquema é show! Não é tão barato e esquema como um bom rodízio, mas é “serrrrvido” e da melhor qualidade.

Ah bom, comer aqui também XL, vira e mexe tamos voltando pra casa com sobras. O que deixou a desejar até o momento é a pizza....contando os dias para NYC!

Tá muito estranho ficar 4(agora 5) horas antes do Brasil e 8 da Inglaterra, assistir jogo de futebol as 07 da manhã de fim de semana então....mas ver jogo do Coringão em horário de gente é impagável, pena que o time deu essa derrapada....mas tem problema não, tamo na luta e é nóis mano!

Bom, com tudo isso, uma primeira impressão da Sandi (San Diego para os íntimos) é que é bão demais, grande, bonita, sem transito, tem de tudo, tanto que tá cheia de gente endinheirada (no bairro de La Jolla vc não sabe se o que tá ali é casa ou Hotel 5 estrelas....coisa ridícula.

Mas sei lá, falta algo ou tem algo demais....de qualquer maneira, é a fucking California e tem hora que eu to dirigindo e de cada 5 músicas que tocam no rádio umas 4 eu olho pra fora e realmente parece cena de filme, rock&roll parece que nasceu pra se tocar por aqui.

Por fim, tem um video que gravei ontem depois de um dia de chuva FDP que cai uma vez em cada 10 anos por aqui. Tava dirigindo pra casa e me deparo com um pôr do sol sensacional...a Mila perdeu, infelizmente, mas se você perguntar ela não tava nem aí.

Buenas, talvez antes do mês que vem eu escrevo mais.

Monday, 26 July 2010

Turbilhão de novidades

Sei que estamos devendo um post há muuuuito tempo. Foram alguns meses intensos, cheio de novidades boas e outras nem tão boas assim, mas que acho vão resultar em coisas legais no futuro!

Do último post para cá, a Mila entrou na creche, eu voltei ao trabalho (meio-período) e... saí do trabalho. Definitivamente.

Vamos em partes: a Mila acabou entrando naquela mesma creche onde ela passou um dia de experiência. Só que, diferentemente daquela época, ela já estava um pouco maior e a adaptação com as outras crianças foi bem mais fácil. Tudo bem, a nossa pequerrucha continuava sendo a mais nova e era a única que ainda não estava andando, mas isso foi mais porque ela começou a andar tarde do que pela diferença de idade (o segundo bebê mais novo tem dois meses a mais do que ela). Ela vai à creche por meio período três vezes por semana e AMA ir para a creche - e acho que eu também amaria, porque as pessoas que cuidam dela são muito, muito legais, a comida é toda orgânica e semi-vegetariana (tem peixe) e o cardápio é bem interessante (como panquecas de espinafre com ricota, jacket potatos com baked beans, queijo e atum, chilli vegetariano com arroz e feijão), e eles fazem inúmeras atividades durante o dia (recebemos uma programação toda segunda-feira, explicando o que será feito durante a semana, em que áreas de desenvolvimento eles vão focar e como). Enfim, a baixinha está bem-encaminhada, entrosada, agora já anda com os outros e quando chega na creche já tem umas outras mini-gentes falando "Mila! Hello, Mila!".

E eu voltei ao trabalho, o que foi um tanto quanto traumático no início. Estava bem feliz de rever os colegas na seção e deu para matar as saudades do clima de redação, mas passei a exercer a função que menos gosto, que é trabalhar na parte de Internet. Além disso, só tinha meia hora de almoço, o que fazia com que todo mundo saísse para almoçar enquanto eu ficava responsável pela página em uma redação vazia e quando todos voltavam do almoço, devidamente alimentados e com sua parcela de socialização cumprida, eu saía correndo para comprar alguma comida e engolfá-la antes de voltar a digitar como uma louca.

Quando saía do trabalho, às 15h, voltava diretamente para a casa, pois ainda estava (e estou) amamentando a Mila. Logo depois de mamar, corria para a yoga. Depois, jantar da Mila, banho e mais uma mamada antes de ela dormir. E depois, finalmente, a nossa janta. E cama. Torcendo para a Mila não acordar para mamar durante a noite para tentar descansar antes de mais um dia corrido. Só que pelo menos duas ou três vezes por semana ela acordava de madrugada...

Por outro lado, sabia que tudo isso tinha data para acabar. A BBC Brasil abriu um programa de demissão voluntária no final do ano passado e, depois de muita reflexão e de pesar os prós e contras, decidimos que pode ser a hora de, aos poucos, iniciar o processo de retornar ao Brasil. Não foi uma decisão fácil. Nunca fiquei tanto tempo em um emprego e não era simplesmente por falta de opção. Era porque amava trabalhar lá, aprendi muito, fiz coberturas maravilhosas, viagens inesquecíveis, matérias que me deram muito prazer em fazer, filmar, gravar, editar, escrever. Mas a Mila chegou e sabia que nos primeiros anos de vida dela tudo também seria diferente no trabalho. Então, a decisão foi pelo menos sair com um pacote de demissão.

Meu chefe pediu para eu trabalhar até o fim da Copa. Portanto, quando meus pais vieram nos visitar, infelizmente, ainda estava trabalhando, o que resultou em mais um período corrido, de trabalho, yoga, amamentação e sempre que possível, passeio com meus pais, afinal não é sempre que eles estão aqui e queria aproveitar ao máximo o tempo com eles!

A Copa terminou, meus pais voltaram ao Brasil, eu saí do trabalho (o que não foi - e ainda não está sendo - fácil) e agora estou me dedicando ao nosso próximo projeto: curso de formação de professor de yoga. Há quatro anos, comecei a fazer Bikram yoga (26 posições de hatha yoga brilhantemente combinadas por um indiano chamado Bikram Choudhury, praticadas em uma sala aquecida a 40ºC) e fiquei completamente apaixonada pela prática e pelos efeitos no meu corpo e no meu espírito. Viciei tanto que só de pensar em voltar ao Brasil e não praticá-la mais (apesar de existirem centenas de estúdios pelo mundo, ainda não existem estúdios de Bikram yoga no Brasil), me dava tristeza. E decidi que esta não era uma opção.

Decidi fazer o curso de formação de professores de Bikram yoga, que ocorre duas vezes por ano, durante 9 semanas, normalmente nos EUA (é onde o Bikram vive e ele que dá o curso). Quando pensei em fazer o curso, queria apenas conhecer a prática suficientemente bem para poder fazê-la sozinha no Brasil, mas a idéia foi crescendo, passei a ter vontade também de passar essa experiência maravilhosa para outras pessoas e assim decidi virar professora. E desta idéia para o plano de abrir um estúdio de Bikram yoga no Brasil foi apenas um pulinho.

Ainda não sabemos se o plano vai funcionar (não sei nem se vou sobreviver sem jornalismo na minha vida), mas estamos caminhando nesta direção. Passei a treinar mais intensamente para o curso (já que lá vou ter de fazer 2 aulas de pelo menos 1h30 por dia, além de aulas de anatomia, filosofia da yoga, etc, etc, e workshops das poses da série), a decorar o texto da aula (a aula são 90 minutos falados non-stop pelo professor) e em setembro voamos para San Diego, Califórnia! Eu tenho de ficar obrigatoriamente hospedada no hotel onde será realizado o curso e o Julien e a Mila provavelmente ficarão em um flat próximo ao hotel (com piscina e churrasqueira, naaada mal...).

Sei que nem todos se interessam pelo assunto, mas pretendo abrir um blog para contar minha experiência no curso, que todos os ex-alunos descrevem como uma experiência que mudou sua vida completamente. Assim que o blog estiver ativo, vou colocar o link aqui.

São muitas mudanças, estamos extremamente ansiosos, tem dias que me dá uma tremenda dor-de-barriga, uma insegurança de não saber ao certo o que vai acontecer daqui para a frente, mas mudanças são boas. Ajudam-nos a crescer. E nunca é tarde para se reinventar, como diz o próprio Bikram: "It's never too late, it's never too bad, and you're never too old or too sick to start from scratch once again."