Wednesday, 26 December 2007

Up my street


Seven Sisters Road, um dia em dezembro



Camden Road, 25 de dezembro

Mais um Natal sem neve 2

É, foi sem neve e hoje, dia 25, choveu o dia todo.
Mas foi show! Rolê com os sogros em Londres, Alemanha e Belgica - tudo de trem e como diz o mineiro: "Eita trem bão!"

E pra ilustar o texto da Andrea e o meu:
Vitrines, Alemanha e Coral de Natal....



Ah, sugestão altamente recomendada para quem pegar o Eurostar entre Londres e o continente um dia na vida : Champagne Bar em St. Pancras, um só já dá pro gasto.
http://www.viewlondon.co.uk/pubsandbars/st-pancras-champagne-bar-review-26924.html

Sunday, 16 December 2007

Mais um Natal sem neve

Desde que nos mudamos para Londres, sonho com o famoso "White Christmas". Como estamos no hemisfério Norte, onde o Natal tem cara de Natal e combina com todas aquelas comidas calóricas que insistimos em comer mesmo no verão brasileiro, sempre achei que finalmente iria ter um Natal no aconchego de uma casa quentinha, com neve do lado de fora. Mas todos os anos, quem aposta suas libras nas casas de apostas de que vai nevar no Natal perde dinheiro. A previsão deste ano é de 9ºC de temperatura e chuvinha. Delícia...
Como cresci com a tradição natalina alemã, aprendi a achar essa época do ano extremamente especial e mágica, mesmo depois de descobrir que Papai Noel não existe. E sempre me pego ficando emocionada com pequenas coisas que fazem despertar o famoso espírito de Natal. Apesar de Inglaterra estar longe de ser Alemanha (este ano, aliás, finalmente, vamos a típicos mercados de Natal - NA ALEMANHA), isto não é muito difícil: são as vitrines com ursinhos enfeitando a casa para o Natal, as luzinhas em inúmeras árvores secas e sem folhas por causa do frio, as bandas e corais se apresentando na calçada, as barracas de mulled wine, fora as intermináveis festas de confraternização de fim de ano - que sempre acabam em ressaca no dia seguinte. Destas últimas eu me livrei este ano, já que meus pais chegaram para nos visitar durante duas semanas!
O Natal inglês também tem suas esquisitices que só quem cresceu aqui entende. O que você diria de um monte de engravatados sérios, sentado numa mesa de pub, com coroas de papel estilo "três reis magos" na cabeça? Se você respondeu "estranho" ou talvez mesmo "ridículo", só nós achamos isso. Aqui é algo absolutamente normal. Outro dia a minha amiga Carol, que mora aqui há cerca de dez anos, colocou uma coroa dessas na cabeça sem a mínima vergonha. Será que um dia eu vou chegar a esse ponto? Outra esquicitice do povo daqui são os crackers. São uns pacotinhos em forma de uma bala gigante, que duas pessoas puxam, uma de cada lado, até o negócio abrir e revelar a lembrancinha mais inútil do mundo, como um mini-cubo mágico, um chaveiro em formato de hipopótamo ou uma caneta de plástico que dura, no máximo, uma reportagem. Confesso que esta tradição vai entrar na nossa casa este ano, afinal, precisamos apresentar o Natal inglês para meus pais!



Christmas pudding - as aparências podem enganar...



Mas não vamos chegar ao ponto de servir uma ceia típica, porque aí já é apelação... Couve de bruxelas e peru são os pratos que se salvam. Mas aí tem o Christmas pudding, algo que o Thomas, que trabalha comigo, nunca teve coragem de comer em mais de dez anos de London. Eu que não me arrisco! Vamos aproveitar o frio para comer algo calórico e impossível de fazer no Natal brasileiro (embora minha mãe já tenha feito pior, com um fondue em plena noite de Ano Novo): raclette.

Sunday, 9 December 2007

Knockout

Mais uma porrada nos ingleses…agora no boxe.
O lutador Ricky Hatton, lá de Manchester, era “A esperança” de uma vitória no esporte internacional nesse ano de 2007.
Invicto, um pit bull e típico representante da classe "porrada" inglesa com frases como: "Me fight will be good, me is ready". Lembra do Brad Pitt em Snatch? Mais ou menos aquilo:">
Lutando em Las Vegas, Hatton enfrentou o atual campeão dos leves, o americano Floyd Mayweather.
Mais uma vez, não deu.
Entre 8 a 10 mil ingleses viajaram para Las Vegas e o pay-per-view da Sky vendeu como água com a luta acontecendo na madrugada de sábado para domingo no horário daqui. A semana toda só se falou nessa luta, me lembrou nossos tempos de Maguila.
Mais uma vez, não deu.
No décimo assalto o querido Hatton beijou a lona e os ingleses mandaram um beijo para qualquer coisa em 2007.

A pergunta é: seriam os ingleses Corinthianos?

Wednesday, 28 November 2007

Pastel de feira




Quando se mora muito tempo fora do Brasil (sei que o tempo é relativo, mas para mim, três anos já é muito tempo…), a tendência é ficar com saudades de várias comidas típicas da nossa terrinha, até mesmo aquelas que a gente não costumava comer quando morava no Brasil.
Nos últimos anos, os brasileiros de Londres já puderam matar a vontade de vários vícios, como arroz e feijão com farinha de mandioca, coxinha e até empadinha. Mas faltava um bom pastel, daqueles fresquinhos que comemos na feira, acompanhados de um caldo de cana. Como esta terra não é muito adequada para plantação de cana, o caldo ainda está faltando, mas o pastel chegou!
Não bastasse o pastel ser bom e relativamente barato (1 libra), ele é genuinamente de feira, já que a família do pasteleiro tem mais de 40 anos de tradição em feiras na região do Jabaquara, zona Sul de São Paulo. Além disso, a família do pasteleiro é japonesa e, pelo menos em São Paulo, os melhores pastéis de feira são feitos por japoneses.
O jovem pasteleiro veio para Londres para estudar e diz que o segredo da receita, guardado a sete chaves pela família, só foi repassado a ele pela mãe porque ela acreditava que em caso de necessidade no exterior o filho poderia se virar fazendo pastel. A confecção do salgado começou a ser feita apenas para amigos, que passaram a pedir pastel com cada vez mais frequência. O pasteleiro e a noiva resolveram começar a vender a iguaria, que fez o maior sucesso em uma feira de gastronomia em Londres (onde um pastelzinho de aperitivo era vendido a 4 libras (quase R$ 15!). O pasteleiro diz que já recebeu várias propostas para trabalhar em restaurantes, todas recusadas por ele. “O que eles querem é descobrir o segredo da receita…”, diz ele.
Ele diz que quando abriu o negócio no Nags Head Market, uma feirinha na esquina da Holloway Road com a Seven Sisters Road (no norte de Londres e, por sorte, perto da minha casa!), 90% de sua clientela era inglesa. “Eles custam a experimentar o primeiro, mas depois disso, voltam sempre.” Após um mês e meio de atividade, o público já é formado por 50% de brasileiros. O pasteleiro vende, em média, 70 pastéis por dia durante a semana e cerca de 400 nos dois dias do fim-de-semana. O trabalho não é fácil. São oito horas em pé em uma banquinha na feira (para amenizar o frio do inverno que está chegando, ele tem um aquecedor portátil atrás do balcão), além do tempo do preparo da massa, em casa.



Por enquanto, o pasteleiro oferece cinco sabores de pastel (queijo, pizza, carne, banana com canela e banana com Nutella), mas em breve ele deve oferecer também o pastel de palmito e o de frango com catupiry.
Pela qualidade do pastel, o jovem e a noiva têm um futuro promissor pela frente!

Saturday, 24 November 2007

Feliz aniversário, Kizz


Hoje você faria 34 anos. E alguém - Deus, o destino, o universo - não quis que você os completasse perto da gente aqui neste mundo. Eu espero que um dia eu entenda o por quê, mas confesso que ainda existe um grande ponto de interrogação no meu coração.
Durante estes quase cinco meses eu pensei em tanta coisa, passei por tantas perguntas existenciais que eu não consigo responder, tantas dúvidas, busquei tantas explicações para tentar amenizar a sua partida repentina, mas nada preenche o vazio da perda que eu estou sentindo.
Se eu me sinto assim, imagino o que o Paps e a Má estão passando e acho que é por isso que é ainda mais difícil aceitar o que aconteceu. Sempre fiquei tão preocupada com vocês três, desde pequena eu tentava te proteger das maldades das outras crianças - e depois dos adolescentes - e sofria tanto quando via você passando por uma situação difícil. Depois disso, a minha preocupação foi transferida para a Má e o Paps e sempre desejei, rezei e torci para ver os dois felizes. E agora sei que isso não vai ser tão fácil...
Achei esta frase na definição "quem sou eu", do seu Orkut: "life means staying alive and show others to enjoy their own lives..." e fiquei me perguntando por quê você não continuou a fazer isso aqui...
Eu sinceramente espero que Paps, Má e eu voltemos a saber curtir a vida logo.
Kizz, meu irmão, eu penso em você todos os dias, sempre que olho para um lindo pôr-do-sol ou nascer do sol, uma lua iluminando o céu, sempre que escovo os dentes no chuveiro (sei que se eu pudesse te ouvir você estaria me repreendendo por desperdiçar água - mas você deve ter percebido que reduzi a freqüência da prática...), sempre que olho para as plantas no jardim, sempre que como chocolate amargo, além das inúmeras situações em que me pego dizendo: "Meu irmão sempre dizia que...".
Sinto muitas saudades suas e esta semana acho que caiu a ficha de que não vou ver você por um bom tempo. E me deu uma agonia de pensar que se as saudades já são tão grandes agora, elas só vão aumentar no futuro, já que eu não vou te encontrar tão cedo para te dar um abraço bem apertado. Eu queria muito que você estivesse aqui, muito, muito, muito.
E eu espero que um dia eu consiga entender por quê Deus ou o universo escreve por linhas tortas e por quê ele achou que era hora de você ir embora e fazer a gente sofrer tanto. Só consigo pensar que você foi realmente promovido para um lugar melhor, onde a gente não sente dor e não existe maldade.
Eu te amo muito, Kizz. Apague as velinhas aí e coma muito bolo de chocolate e seja feliz, porque você é uma alma especial e merece. Um dia a gente comemora seu aniversário juntos de novo. Prometo fazer um brinde aqui embaixo para você com o Julien - que também está te mandando parabéns!

Thursday, 22 November 2007

Os ingleses e seus esportes.


Em Londres estava chovendo desde quinta-feira da semana passada, aquela chuva bem mala, vezes mais forte, vezes mais fraca. Acabou ontem à noite, engraçado, coincidência ou não, acho que os ingleses choram por antecipação. Eles foram eliminados, derrotados, humilhados em casa, no belíssimo Wembley, pela Croácia por 3x2 numa noite de muita chuva, frio e choro.
É engraçado como eles têm um discurso de resignação, luta, conquista, um discurso de guerra, de um país que um dia foi “O Império” que inventou 90% das regras e jogos modernos como o futebol, criquet, rugby....Mas como eles são ruins e azarados em tudo isso é impressionante, em menos de 1 mês eles sofreram 3 derrotas esportivas daquelas de doer por muito tempo, ou 4 se contar que o futebol caiu, levantou e tombou de forma espetacular.
Tudo começou na quarta-feira dia 17 de outubro. Jogando em Moscou, os ingleses tinham a chance de praticamente garantir a classificação para a Eurocopa 08 se vencessem, mas perderam de virada por 2x1. A catástrofe começava, pois com a derrota os papéis se inverteram e agora era a Rússia que precisava apenas de uma vitória simples no próximo jogo contra a fraca Israel para se classificar. Os jornais por aqui já consideravam a classificação um sonho distante.
No sábado seguinte, dia 20, chegou a chance de ouro, com a Inglaterra finalista da Copa do Mundo da França contra a África do Sul. O país preparado para comemorar noite adentro, os pubs lotados, cerveja vendendo como água. Resultado final: África do Sul 15 x Inglaterra 6.
Mas eles ainda tinham outra chance no dia seguinte, domingo. O garoto de ouro Lewis Hamilton era “barbada” para ser o campeão da F1 no Grande Prêmio do Brasil. Bom, essa não preciso nem falar......

Na segunda-feira essa era a capa do The Sun:




"Boa tentativa" e "Oh bem, sempre teremos os dardos"




Já o The Guardian:

"Esse é a trinca...Hamilton o último dos ingleses perdedores"


















Para todos aqui o esporte nacional estava em recesso, seja no futebol, no rugby ou qualquer outro.
Sábado passado eis que a Fênix ressurge, contra todas as possiblidades, Israel vence a Rússia por 2x1 e vira tudo de novo: um simples empate em Wembley garantiria os ingleses na Suíça-Aústria 08.
Ontem, aquela chuva e a Fênix apagou. Em 15 minutos de jogo um frango memorável do goleiro Carson e um golaço numa bela jogada da Croácia e o resultado era o incrível 2 x0.
Na volta do intervalo a Fênix teve uma última chamusca, um pênalti e uma bela jogada de Beckham cruzando para o “grilo” Peter Crouch e os ingleses empataram em 2x2, aos 25 do segundo tempo. Mas os croatas, já classificados e realmente sem nenhum problema em perder ou ganhar o jogo, estavam a fim mesmo de sacanear os ingleses, um belo chute de fora da área e by by Eurocopa.
Hoje, aquele monte de “o que está acontecendo?”, “o que fazer?”, “nós temos um grande time!!” essa última é bem discutível....
Eles podem não ser bons em ganhar, mas são os melhores em perder.