Sunday, 21 March 2010

A segunda primavera



Há um ano a Mila chegou, a flor mais linda de todas, anunciando o começo da primavera. E hoje, um dia após o começo de mais uma, ela completou um ano de vida neste mundo. E nem parece que só passaram quatro estações de lá para cá!
No dia 21 de março do ano passado, ela era um bebezinho minúsculo, com um pouco mais de 3 kg, que não conseguia segurar a própria cabeça e não tinha idéia de como tirar leite daquele peito em frente à cara dela. Neste 21 de março, virou uma bebezona (sim, porque para nós ela nunca vai deixar de ser o "nosso bebê") de quase 9 kg, que engatinha para tudo quanto é lado (anda também - aliás adora - mas por enquanto só com apoio), bate palma, dá tchauzinho, come sozinha, mama do peito como se tivesse anos de experiência e dá muita, mas muita risada.
O nosso apartamento, cujos resquícios de infância se restringiam a dois bichinhos de pelúcia (meus) e um Mr. Incredible falante (do Julien), virou um playground, com brinquedos espalhados em todos os cômodos.
Para comemorar a alegria de ter a Mila na nossa vida - já que ela mesma não vai lembrar muito desta data - chamamos alguns amigos para festejar e a esperança era de celebrar o começo da primavera (e o começo da segunda primavera da Mila) no parque em frente de casa. Eis que ontem o nosso castelinho de areia desaba com a chuva que caiu o dia todo, céu cinzento, vento cortante. Isso depois de uma semana linda, em que a temperatura chegou a divinos 17 graus! Sim, lembrem-se que isto é Inglaterra e aqui se comemora 17 graus no fim do inverno... A previsão do tempo não ajudava para termos uma idéia de como ficaria o tempo no dia seguinte, já que mudou quatro vezes durante o dia.
Mas dia 21 é o dia da Mila e o nosso pequeno sol radiante atraiu o sol maior e a comemoração no parque deu certo! A festinha da Mila teve direito a mini-salgadinhos (coxinha, risolis, quibe, empadinha e bolinha de queijo - aliás, se alguém em Londres precisar do contato da moça que fez, eu passo. Divinos!), bolo de chocolate (o Julien tentou enfiar um pedaço goela abaixo da Mila, mas a buni não quis saber, só queria comer pão!), brigadeiro e bexiga! Ah, e presentes, claro!
E tudo isso para a nossa filhinha! Que sensação boa! Obrigada a todos os queridos amigos que vieram e deixaram este dia ainda mais especial! Obrigada aos avós todos que mandaram os parabéns de novo e que eu sei que adorariam estar aqui para dar um abraço e um beijo nesta coisinha linda.
Obrigada, Mila, por nos emocionar, nos fazer dar muita risada e nos encantar com suas descobertas, brincadeiras e travessuras!
Somos os pais mais sortudos do mundo! Te amamos muito, muito, muito!!!!

Friday, 12 March 2010

O que uma capa doida do Orkut não faz!

Além de nós brasileiros outros povos ainda usam e muito o Orkut, mesmo dizendo-se por aí que na era pós Twitter e Facebook o Orkut vai virar um album de fotos velhas.
Entre esses povos estão os Indianos, a galera do curry adora uma internet como nós e o Orkut lá é sucesso, tanto que em março do ano passado na capa do Orkut estava uma mensagem para os Indianos com o "Happy Holi".
Eis que a galera no Brasil resolveu dar uma goolgada no termo e para a nossa estupefata surpresa bombou o Boiando!!
E só ficamos sabendo agora!!!huahuahhauhua sensacional!!!
O poder da internet sentida na pele. Veja no link:
http://boiandononilo.blogspot.com/2008/04/happy-holi.html

E antes que eu me esqueça: Happy Holi!!!

Sunday, 31 January 2010

Full-time job



Dez meses de Mila depois e eu que não queria nem ouvir falar em voltar ao trabalho e largá-la em uma creche, comecei a pirar aqui em casa com a overdose de Mila (na semana mais difícil e trabalhosa dela depois dos primeiros 3 meses de vida), com o frio lá fora que nos impede de bater muita perna e com a solidão (ou melhor dizendo, a falta de companhia com idade de dois dígitos - em anos, não meses!).

Foi aí que decidi voltar ao trabalho antes do previsto. Colando a minha licença-maternidade nas férias que sou obrigada a tirar ainda neste ano fiscal (que termina em março), voltaria à BBC no meio de maio. Mas decidi voltar antes, talvez meio de março, isso se eu encontrasse uma creche assim, de última hora.

O problema é que vaga na creche aqui é mais concorrida do que vaga na USP e, apesar de termos nos candidatado em duas creches do bairro com muita antecedência, como não tínhamos previsto nada para março, perdemos a vaga para esta data.
"Ah, mas tem uma vaga no 'toddlers group', e no fim de março ela já vai ser uma toddler", disse a atendente em uma das creches. Fiquei um tanto insegura, afinal, a Mila está longe de ser uma toddler, afinal, ela ainda não anda - nem engatinha - e não tem nem um ano de idade. Pelo que entendo, toddler são crianças entre 12 e 36 meses, mas como bem me disse a diretora dessa creche quando fomos conhecer o local, a decisão de passar alguém do 'baby group' para o 'toddler group' depende muito mais de desenvolvimento individual do que de idade.

Então na última sexta-feira fomos lá, Mila e eu, brincar por 1h30 no toddlers group para ver se a Mila estava 'apta' a entrar no grupo em março.

Quando vi aquele monte de mini-pessoinhas correndo de um lado para o outro, escalando sofá, subindo escadinha para descer no escorregadorzinho, brincando de casinha de boneca e batendo um no outro por não querer dividir o brinquedo, e aí olhei para a minha pulguinha linda, sentadinha em um canto, admirada com a movimentação, enfiando todos os carrinhos do chão na boca, senti um certo desconforto.

Larguei a Mila com os leões e fui dar uma espiada no babies room. Engatei no maior papo com a monitora italiana, vi uma mãe chegando com uma bebê com a idade da Mila e uma sacola cheia de coisas que a monitora tinha pedido para realizar atividades com os bebês, vi outro bebê tentando se equilibrar segurando em uma mesinha, tudo era a cara da Mila naquele lugar... Mas não tinha vaga ali, então voltei ao toddlers room, bem na hora do lanche.

Lá estava a Mila devidamente acomodada na ponta da mesa, em uma cadeirinha para bebês (aquelas que encaixam na mesa) - enquanto que todas as outras crianças estavam sentadas em cadeirinhas de verdade. Todos ganharam um potinho com duas fatias de pêra e um punhado de uvas passas. A Mila ganhou só as pêras, pois com as uvas ela poderia se engasgar. Torci para que ela não fizesse feio, já que às vezes ela gosta de brincar com a comida. Não desta vez, pelo menos! Ela comeu os dois pedacinhos de pêra! Todos tinham seus copinhos de água, trazidos de casa. Fui correndo pegar o dela no hall de entrada, mas foi um tanto quanto inútil, pois a Mila não consegue tomar água sozinha ainda e nenhum monitor segurou o copinho para ela.

A Mila ficou maravilhada com as crianças maiores, gostou do ambiente, mas meu sexto sentido de mãe ficou com a pulga atrás da orelha. E acabei desistindo de colocá-la no grupo. Não acho justo apressar o desenvolvimento da minha pequena só porque não aguento mais ficar em casa. E não posso pagar praticamente o salário que eu iria receber trabalhando meio-período para deixá-la em um lugar que nem é o ideal para ela.

E como bem disse minha amiga Malu, se eu voltar mais cedo ao trabalho vou acabar me arrependendo de não ter aproveitado este tempo precioso que poderia ter ficado a mais com a Mila. Afinal, ela vai crescer rapidinho e tudo isso que estou vivendo com ela vai ficar no passado.

Pois bem, então até o meio de maio estarei aqui, cozinhando, lavando, limpando, sofrendo com as crises de choro e reclamação, pegando a Mila no colo para consolá-la, acompanhando cada passo de seu desenvolvimento, dando muita risada com suas travessuras, indo para as aulas de natação, saindo para passear com ela e aproveitando cada segundo ao lado de uma das criaturas mais importantes da minha vida! E acho que foi a decisão certa!

Wednesday, 20 January 2010

Que pé gostoso!

Andamos meio ocupados, aproveitando o calor e revendo amigos queridos no Brasil, mas já voltamos à geladeira londrina, hoje com 5ºC. Nos últimos dois dias tenho me sentido um chef de restaurante tentando satisfazer um cliente para lá de exigente. A Mila resolveu fechar a boca e ando fazendo malabarismos para enfiar alguma caloria além de leite goelinha abaixo.

No jantar, preparei um verdadeiro banquete, com formatos e texturas diferentes, para ver se a pequena se empolgava: arvorezinha de brócolis e um pedaço de cenoura cozida (ela está na fase que não quer mais saber de ser alimentada com papinha na colher), um pedaço de truta (temperada com limão, alho, manteiga e ervas), e um pouco de purê com batata, cenoura e maçã, para pegá-la em algum momento de distração... Depois de uma hora, muita brincadeira com o brócolis e a cenoura, vários pedacinhos de peixe engolidos e o purê ter virado sobremesa com um pouco de iogurte, até que ela comeu! Sobrou pedaço de comida no cadeirão, mesa, calça da mãe, pantufa da mãe, meia refeição no chão e uma Mila toda lambuzada, mas parece que ela foi dormir satisfeita (depois de uma última mamada, claro)!

Ufa! Amanhã começa outra batalha! Êta fase! Isso porque ela era tão boa de garfo! Talvez eu devesse incluir pé de Mila no menu:

Wednesday, 23 December 2009

Pink Stinks



Depois do ultrassom que revelou o sexo do meu bebê, cheguei na redação, feliz da vida para anunciar que era uma menina e logo acrescentei: "Mas peloamordedeus, não me encham de roupas cor-de-rosa!", sob protestos das minhas colegas.

Nunca gostei muito da cor. E acho um absurdo ser obrigada a vestir minha filha de rosa dos pés à cabeça só porque ela é menina.

E não estou só. Recentemente, o jornal britânico The Guardian publicou uma matéria que gerou bastante polêmica, sobre duas irmãs que resolveram iniciar uma campanha chamada PinkStinks para acabar com essa doença das meninas por pink, rosa, seja lá como chama a cor.

A matéria é bem interessante e começa com um fato novo para mim: rosa era a cor de meninos até pelo menos 1927, porque era considerada uma cor mais forte, muitas vezes associada a sangue, enquanto que azul era uma cor mais delicada, mais apropriada para meninas, associada à Virgem Maria.

A doença rosa parece ser mundial. Lá na Inglaterra (ah, para os desavisados, estamos no Brasil, aproveitando muuuuito o verão!) muitas meninas se cobrem de pink, algumas mães andam de carrinhos de bebê pink e elas próprias também estão vestidas de pink. Aqui no Brasil, fiquei besta ao ver que a C&A tem uma seção toda pink, acho que da Barbie, e a propaganda da Barbie na TV abraçou a bandeira de "viva o rosa", porque é "fashion".

Como ressalta bem a matéria do Guardian, o resultado disso é uma menina que não usa a cor se sentir excluída da turma, numa idade que a aceitação do grupo de amigas é tudo. E assim, crescem várias mulheres-objeto, que viram aqueles bombons sonho-de-valsa estilo Paris Hilton.

Outra observação pertinente da matéria: por quê é tão importante definir o sexo de um bebê? Por quê eles não podem ser unissex e usar qualquer cor?

Ao ouvir que eu não queria nenhum presente rosa para a Mila, minha amiga Iracema, que é mãe de uma menina (aliás, vai ganhar um menino em breve e teve de se desfazer de um mar de roupas rosa), logo avisou que seria impossível se livrar da cor. A Mila tem coisas rosa - a maioria recebida de presente - e algumas são bem bonitinhas e ela usa (é bom avisar aos amigos que deram coisas rosa que ela está usando tudo, hehehe!).

Não sou anti-pink, mas tento tratar a cor como outra qualquer do guarda-roupa da Mila e sempre que ela está com algo rosa, o resto é marrom ou cinza ou alguma outra cor mais neutra. Mas confesso que, ultimamente, tenho ficado até um pouco orgulhosa quando confundem a Mila com um menino...