Saturday, 25 December 2010

Feliz Natal!!!!


Bonecos de neve feitos por nós em Bréthencourt, França, onde passamos o Natal com o pai do Julien, Christophe, e sua namorada, Isabelle.

Wednesday, 24 November 2010

Tão perto...

Como muitos devem saber, nos últimos dois meses fiz um curso para virar professora de Bikram Yoga. Em uma das últimas aulas, dada pela Rajashree (mulher do Bikram), ela encerrou os 90 minutos mencionando o que Paramhansa Yogananda (irmão de Bishnu Ghosh, que é o guru do Bikram) disse a seus discípulos quando lhe perguntaram se ele os abandonaria na hora da morte: "Meu amor sempre vai estar com vocês." E na hora pensei no meu irmão.

Pensei muito no meu irmão durante estas últimas nove semanas. Chorei muito por ele, lembrei da dor que senti quando recebi a notícia de que ele tinha deixado este mundo, lembrei da dor que senti depois disso e que muitas vezes ainda sinto. E chorei, chorei, chorei.

Mas encontrei um pouco de conforto nesta frase de Yogananda e sinto que o amor do meu irmão está aqui comigo. E está com os meus pais e com todos aqueles que amam o meu irmão. Um discípulo de Yogananda, Swami Kriyananda, disse que certo tempo após a morte de Yogananda ele passou a senti-lo até mais próximo de si do que quando ele estava vivo. Ele disse o seguinte:

"It was a deep pain to lose my Guru. Over time, however, I came to understand that he hadn’t in fact left me at all. In a way, I found he was with me more than ever. While he was living, there was always the delusion that, although I could feel him in my heart, his body was over there — perhaps sitting in the next room. It is hard to separate the Master’s body from his over-arching consciousness. When he left the body it was easier to keep his presence wholly in my heart."*

Meu irmão não era meu guru e talvez não seja uma alma tão elevada quanto a de Yogananda. Mas sinto - e quero sentir para sempre - sua presença em meu coração. E como disse Yogananda a seus discípulos: 'To those who think me near, I will be near.'*

Te amo, Kizz. Obrigada por segurar na minha mão em todos os momentos difíceis pelos quais passei nas últimas nove semanas. Tenho certeza que foi você que me deu força para superar tudo da melhor forma possível. Feliz aniversário.

*(Fonte: Ananda Sangha - http://www.ananda.org/ananda/)

Thursday, 21 October 2010

Enquanto isso na Sala de Justiça

Cara, difícil começar esse blog....além da minha costumeira preguiça de escrever eu to cansado pra kct...tudo bem, não to no esquema semi-militar da Andrea lá no curso, má negô, acordar todo dia por volta das 07am e já começar a labuta de cuidar da Mila até a hora que ela vai dormir e ainda depois ainda ter que lavar louça, roupa, varrer casa, fazer rango pros dias que ainda vem e tudo sozinho né mole não.

Ok, não é nenhum trabalho pesado, é cuidar da própria filha, to na praia e muito principalmente ela tem 2 dias na creche que são um caminhão de tempo pra fazer outras coisas, mas o que na verdade é basicamente tempo pra ir no supermercado....

Sério, não é nenhum sacrifício, muito pelo contrário, mas cansa pra caraio...

Dito isso, nesse 1 mês por aqui várias situações e experiências aconteceram e eu pensava: vale um blog.....mas em temos de facebook e twitter é mais fácil escrever um pouco e cola um foto ou um vídeo, it's done!

Então vamos lá, pelo menos umas considerações:

É uma terra de gigantes esse tal de USA, tudo é tamanho XXL, galão de leite, caminhonetes 4x4 cabina tripla, 30 metros de comprimento(mas que nunca viram um chãozinho de terra batida). Roupa, ruas, casas, máquinas de lavar roupa, supermercados....bom, até aí nenhuma novidade, mas vendo impressiona. Quando estivemos em NY lá pros idos de 2005 não deu pra pegar essa impressão de maneira tão real, afinal mesmo com as dimensões e guardadas as devidas proporções NY e Sampa são lá parecidas.

Mas aqui nessa tal de California é que a gente vê aquela vida de TV americana e percebe-se o quanto eles tem tanto enquanto boa parte do mundo (e aqui mesmo) tem tão pouco.

Nunca vi e possivelmente nunca verei tanto Mustang na vida, novo, velho, pintado, conversível e aí vai, e é muito, mas muito engraçado ver aquele Mustang preto zerado estacionando no supermercado e lá de dentro sai aquela senhora, mãe e possivelmente avó indo fazer suas comprinhas da semana, sabe aquela senhora de meia idade que vc vê no Pão de Açúcar? Exato: é ela. E isso vale pra caminhonete irada também, aquelas Dodge gigantes que playboy dirige na Faria Lima? Aqui tem senhora chinesa de lenço com bob no cabelo....

As praias, ahhh as praias....po não são as mais bonitas que já vi, mas rola um clima bacana, surfistada, galera e família em harmonia, pelo menos até onde vejo. Pode ser por causa da lei que proíbe a marvada, é meu rei, breja não pode na praia, mas acho que não, sei lá...ah, e também não pode fumar, seja qual for o cigarro. Falando nisso, dia 2/11 tem as eleições por aqui e como tem coisa que realmente funciona nessa terra da Democracia, eles também votam leis junto com os safados (ou bastards por aqui) políticos e na California eles vão votar entre outros o projeto de Lei 19, que defende a legalização, controle e taxação sobre a cannabis, assim como é no álcool e no cigarro, parece lógico não? Não to sabendo de pesquisa pra saber se a galera aprova ou não, mas pelo que li e vejo por aqui acho que vai rolar um Amsterdam de tamanho “estadual” americano double XL. Escutei no rádio que as ONGs e os do lado do “bem” em Tijuana estão contando com a lei para cortar 70% ou mais do lucro que os traficantes da região tem com a erva.

Vale a pena ficar de olho pra saber o resultado.

Ah, sushi, po tem sushi de sobra na área, só perto de casa tem uns 10 restaurantes e o esquema é show! Não é tão barato e esquema como um bom rodízio, mas é “serrrrvido” e da melhor qualidade.

Ah bom, comer aqui também XL, vira e mexe tamos voltando pra casa com sobras. O que deixou a desejar até o momento é a pizza....contando os dias para NYC!

Tá muito estranho ficar 4(agora 5) horas antes do Brasil e 8 da Inglaterra, assistir jogo de futebol as 07 da manhã de fim de semana então....mas ver jogo do Coringão em horário de gente é impagável, pena que o time deu essa derrapada....mas tem problema não, tamo na luta e é nóis mano!

Bom, com tudo isso, uma primeira impressão da Sandi (San Diego para os íntimos) é que é bão demais, grande, bonita, sem transito, tem de tudo, tanto que tá cheia de gente endinheirada (no bairro de La Jolla vc não sabe se o que tá ali é casa ou Hotel 5 estrelas....coisa ridícula.

Mas sei lá, falta algo ou tem algo demais....de qualquer maneira, é a fucking California e tem hora que eu to dirigindo e de cada 5 músicas que tocam no rádio umas 4 eu olho pra fora e realmente parece cena de filme, rock&roll parece que nasceu pra se tocar por aqui.

Por fim, tem um video que gravei ontem depois de um dia de chuva FDP que cai uma vez em cada 10 anos por aqui. Tava dirigindo pra casa e me deparo com um pôr do sol sensacional...a Mila perdeu, infelizmente, mas se você perguntar ela não tava nem aí.

Buenas, talvez antes do mês que vem eu escrevo mais.

Monday, 26 July 2010

Turbilhão de novidades

Sei que estamos devendo um post há muuuuito tempo. Foram alguns meses intensos, cheio de novidades boas e outras nem tão boas assim, mas que acho vão resultar em coisas legais no futuro!

Do último post para cá, a Mila entrou na creche, eu voltei ao trabalho (meio-período) e... saí do trabalho. Definitivamente.

Vamos em partes: a Mila acabou entrando naquela mesma creche onde ela passou um dia de experiência. Só que, diferentemente daquela época, ela já estava um pouco maior e a adaptação com as outras crianças foi bem mais fácil. Tudo bem, a nossa pequerrucha continuava sendo a mais nova e era a única que ainda não estava andando, mas isso foi mais porque ela começou a andar tarde do que pela diferença de idade (o segundo bebê mais novo tem dois meses a mais do que ela). Ela vai à creche por meio período três vezes por semana e AMA ir para a creche - e acho que eu também amaria, porque as pessoas que cuidam dela são muito, muito legais, a comida é toda orgânica e semi-vegetariana (tem peixe) e o cardápio é bem interessante (como panquecas de espinafre com ricota, jacket potatos com baked beans, queijo e atum, chilli vegetariano com arroz e feijão), e eles fazem inúmeras atividades durante o dia (recebemos uma programação toda segunda-feira, explicando o que será feito durante a semana, em que áreas de desenvolvimento eles vão focar e como). Enfim, a baixinha está bem-encaminhada, entrosada, agora já anda com os outros e quando chega na creche já tem umas outras mini-gentes falando "Mila! Hello, Mila!".

E eu voltei ao trabalho, o que foi um tanto quanto traumático no início. Estava bem feliz de rever os colegas na seção e deu para matar as saudades do clima de redação, mas passei a exercer a função que menos gosto, que é trabalhar na parte de Internet. Além disso, só tinha meia hora de almoço, o que fazia com que todo mundo saísse para almoçar enquanto eu ficava responsável pela página em uma redação vazia e quando todos voltavam do almoço, devidamente alimentados e com sua parcela de socialização cumprida, eu saía correndo para comprar alguma comida e engolfá-la antes de voltar a digitar como uma louca.

Quando saía do trabalho, às 15h, voltava diretamente para a casa, pois ainda estava (e estou) amamentando a Mila. Logo depois de mamar, corria para a yoga. Depois, jantar da Mila, banho e mais uma mamada antes de ela dormir. E depois, finalmente, a nossa janta. E cama. Torcendo para a Mila não acordar para mamar durante a noite para tentar descansar antes de mais um dia corrido. Só que pelo menos duas ou três vezes por semana ela acordava de madrugada...

Por outro lado, sabia que tudo isso tinha data para acabar. A BBC Brasil abriu um programa de demissão voluntária no final do ano passado e, depois de muita reflexão e de pesar os prós e contras, decidimos que pode ser a hora de, aos poucos, iniciar o processo de retornar ao Brasil. Não foi uma decisão fácil. Nunca fiquei tanto tempo em um emprego e não era simplesmente por falta de opção. Era porque amava trabalhar lá, aprendi muito, fiz coberturas maravilhosas, viagens inesquecíveis, matérias que me deram muito prazer em fazer, filmar, gravar, editar, escrever. Mas a Mila chegou e sabia que nos primeiros anos de vida dela tudo também seria diferente no trabalho. Então, a decisão foi pelo menos sair com um pacote de demissão.

Meu chefe pediu para eu trabalhar até o fim da Copa. Portanto, quando meus pais vieram nos visitar, infelizmente, ainda estava trabalhando, o que resultou em mais um período corrido, de trabalho, yoga, amamentação e sempre que possível, passeio com meus pais, afinal não é sempre que eles estão aqui e queria aproveitar ao máximo o tempo com eles!

A Copa terminou, meus pais voltaram ao Brasil, eu saí do trabalho (o que não foi - e ainda não está sendo - fácil) e agora estou me dedicando ao nosso próximo projeto: curso de formação de professor de yoga. Há quatro anos, comecei a fazer Bikram yoga (26 posições de hatha yoga brilhantemente combinadas por um indiano chamado Bikram Choudhury, praticadas em uma sala aquecida a 40ºC) e fiquei completamente apaixonada pela prática e pelos efeitos no meu corpo e no meu espírito. Viciei tanto que só de pensar em voltar ao Brasil e não praticá-la mais (apesar de existirem centenas de estúdios pelo mundo, ainda não existem estúdios de Bikram yoga no Brasil), me dava tristeza. E decidi que esta não era uma opção.

Decidi fazer o curso de formação de professores de Bikram yoga, que ocorre duas vezes por ano, durante 9 semanas, normalmente nos EUA (é onde o Bikram vive e ele que dá o curso). Quando pensei em fazer o curso, queria apenas conhecer a prática suficientemente bem para poder fazê-la sozinha no Brasil, mas a idéia foi crescendo, passei a ter vontade também de passar essa experiência maravilhosa para outras pessoas e assim decidi virar professora. E desta idéia para o plano de abrir um estúdio de Bikram yoga no Brasil foi apenas um pulinho.

Ainda não sabemos se o plano vai funcionar (não sei nem se vou sobreviver sem jornalismo na minha vida), mas estamos caminhando nesta direção. Passei a treinar mais intensamente para o curso (já que lá vou ter de fazer 2 aulas de pelo menos 1h30 por dia, além de aulas de anatomia, filosofia da yoga, etc, etc, e workshops das poses da série), a decorar o texto da aula (a aula são 90 minutos falados non-stop pelo professor) e em setembro voamos para San Diego, Califórnia! Eu tenho de ficar obrigatoriamente hospedada no hotel onde será realizado o curso e o Julien e a Mila provavelmente ficarão em um flat próximo ao hotel (com piscina e churrasqueira, naaada mal...).

Sei que nem todos se interessam pelo assunto, mas pretendo abrir um blog para contar minha experiência no curso, que todos os ex-alunos descrevem como uma experiência que mudou sua vida completamente. Assim que o blog estiver ativo, vou colocar o link aqui.

São muitas mudanças, estamos extremamente ansiosos, tem dias que me dá uma tremenda dor-de-barriga, uma insegurança de não saber ao certo o que vai acontecer daqui para a frente, mas mudanças são boas. Ajudam-nos a crescer. E nunca é tarde para se reinventar, como diz o próprio Bikram: "It's never too late, it's never too bad, and you're never too old or too sick to start from scratch once again."

Monday, 3 May 2010

Um caso de amor e ódio



Normalmente, assim que um turista chega a Londres ele se depara com a maravilha do metrô - ou o "tube", como é chamado aqui - que o leva para todos os pontos que ele quer conhecer na cidade (isso depois de um certo período de adaptação em que se corre o risco de pegar o trem para a direção oposta ou mesmo para a direção certa, mas rumo à bifurcação errada).

Tenho lembranças saudosistas da Central Line, que me levava de Queensway a Holborn todos os dias em 2004, quando cheguei a Londres, e até hoje quando uso a linha e ouço a voz gravada que anuncia as estações meu coração se enche de emoção e alegria, exatamente o que senti quando cheguei aqui na cidade. Também me emocionei a primeira vez que ouvi a famosa gravação "Mind the gap" no metrô e até gravei a frase e outros sons na estação para uma de minhas matérias de rádio.

Passados seis anos, tenho de confessar que a emoção se restringe à Central Line, porque a cada dia que entro no metrô percebo que "nossos santos não batem". Quando comecei a andar de bicicleta, abandonei o metrô e o ônibus. Era muito mais rápido chegar aos locais de bike, driblando o trânsito e ainda aproveitando para exercitar o corpo e respirar ar puro. Mas depois da Mila voltei a ser freguesa do ônibus - mas já estou começando a pensar em comprar uma daquelas cadeirinhas para colocar na garupa da bike para transportá-la, porém não conto muito com a simpatia do Julien para isso.

Evito o metrô por vários motivos: primeiramente porque, apesar de a cidade ser bastante simpática para cadeirantes de rodas e carrinhos de bebê, o metrô foge à regra. Existem pouquíssimas estações com elevador e sempre tem alguma escada de degraus entre uma escada rolante e outra. Além disso, muitas vezes você tem de trocar de trem e fazer vários "desvios" por baixo da terra para chegar em algum lugar onde você chegaria com um simples ônibus em linha reta. Também é muito mais caro do que o ônibus. E confesso que às vezes me bate um pequeno medinho - e isso vale para os dois meios de transporte - de um fanático se explodir lá dentro. No metrô o medo é um pouco maior, talvez por você se sentir encurralado, dentro de um túnel, longe da luz do dia e sem saída.

Outro motivo, já externado acima, é que o metrô parece sentir que eu o evito. Quando nossos caminhos são obrigados a se cruzar, sofro. Tento pegar o trem (normalmente já estou atrasada e é por isso que recorro a ele) e me deparo com a infeliz surpresa de ele chegar lotado a ponto de não ter espaço nem para minha bolsa. Espero o próximo. Também lotado. Espero o próximo. Lotado, mas cabe a bolsa. Espero o próximo. Lotado, mas já sem paciência me espremo entre os passageiros e, suando no meio de tanta gente e coberta de casacos sem poder me mexer naquela sauna, fico me perguntando por que não saí mais cedo de casa... E a gente ainda paga caro...

Ontem o metrô resolveu me castigar de novo. Saí com folga para a minha yoga e sentei no trem. A algumas centenas de metros da minha estação de destino, o trem pára. E não se move durante vários minutos. Pronto. Já perdi a respiração do começo da aula. A condutora, altamente educada como a maioria dos britânicos, explicou que houve um problema na estação seguinte e que nós iríamos voltar a andar "shortly" (sim, eles são assim, beeem específicos...). O shortly levou 20 minutos. E não só perdi a respiração inicial da aula, como também a primeira pose e ainda tive de suplicar para poder entrar no estúdio após 15 minutos de atraso.

Uma hora e meia depois, devidamente relaxada do estresse para chegar na aula, lá vou eu encarar o meu carma para voltar para a casa, onde tinha de chegar logo, já que a Mila precisava mamar antes de dormir. Sim, aconteceu de novo. O trem resolveu "dar um tempinho" na estação de Euston...

O metrô de Londres pode ser uma maravilha para os turistas, que se perdem (com todo o direito) nos ônibus. Pode levar muita gente ao trabalho, é a forma mais barata para ir ao aeroporto de Heathrow e nos salva em dias de atraso. Mas, desculpe, tube, sempre que possível prefiro me jogar nos braços da minha magrela ou do ônibus.

Sunday, 21 March 2010

A segunda primavera



Há um ano a Mila chegou, a flor mais linda de todas, anunciando o começo da primavera. E hoje, um dia após o começo de mais uma, ela completou um ano de vida neste mundo. E nem parece que só passaram quatro estações de lá para cá!
No dia 21 de março do ano passado, ela era um bebezinho minúsculo, com um pouco mais de 3 kg, que não conseguia segurar a própria cabeça e não tinha idéia de como tirar leite daquele peito em frente à cara dela. Neste 21 de março, virou uma bebezona (sim, porque para nós ela nunca vai deixar de ser o "nosso bebê") de quase 9 kg, que engatinha para tudo quanto é lado (anda também - aliás adora - mas por enquanto só com apoio), bate palma, dá tchauzinho, come sozinha, mama do peito como se tivesse anos de experiência e dá muita, mas muita risada.
O nosso apartamento, cujos resquícios de infância se restringiam a dois bichinhos de pelúcia (meus) e um Mr. Incredible falante (do Julien), virou um playground, com brinquedos espalhados em todos os cômodos.
Para comemorar a alegria de ter a Mila na nossa vida - já que ela mesma não vai lembrar muito desta data - chamamos alguns amigos para festejar e a esperança era de celebrar o começo da primavera (e o começo da segunda primavera da Mila) no parque em frente de casa. Eis que ontem o nosso castelinho de areia desaba com a chuva que caiu o dia todo, céu cinzento, vento cortante. Isso depois de uma semana linda, em que a temperatura chegou a divinos 17 graus! Sim, lembrem-se que isto é Inglaterra e aqui se comemora 17 graus no fim do inverno... A previsão do tempo não ajudava para termos uma idéia de como ficaria o tempo no dia seguinte, já que mudou quatro vezes durante o dia.
Mas dia 21 é o dia da Mila e o nosso pequeno sol radiante atraiu o sol maior e a comemoração no parque deu certo! A festinha da Mila teve direito a mini-salgadinhos (coxinha, risolis, quibe, empadinha e bolinha de queijo - aliás, se alguém em Londres precisar do contato da moça que fez, eu passo. Divinos!), bolo de chocolate (o Julien tentou enfiar um pedaço goela abaixo da Mila, mas a buni não quis saber, só queria comer pão!), brigadeiro e bexiga! Ah, e presentes, claro!
E tudo isso para a nossa filhinha! Que sensação boa! Obrigada a todos os queridos amigos que vieram e deixaram este dia ainda mais especial! Obrigada aos avós todos que mandaram os parabéns de novo e que eu sei que adorariam estar aqui para dar um abraço e um beijo nesta coisinha linda.
Obrigada, Mila, por nos emocionar, nos fazer dar muita risada e nos encantar com suas descobertas, brincadeiras e travessuras!
Somos os pais mais sortudos do mundo! Te amamos muito, muito, muito!!!!

Friday, 12 March 2010

O que uma capa doida do Orkut não faz!

Além de nós brasileiros outros povos ainda usam e muito o Orkut, mesmo dizendo-se por aí que na era pós Twitter e Facebook o Orkut vai virar um album de fotos velhas.
Entre esses povos estão os Indianos, a galera do curry adora uma internet como nós e o Orkut lá é sucesso, tanto que em março do ano passado na capa do Orkut estava uma mensagem para os Indianos com o "Happy Holi".
Eis que a galera no Brasil resolveu dar uma goolgada no termo e para a nossa estupefata surpresa bombou o Boiando!!
E só ficamos sabendo agora!!!huahuahhauhua sensacional!!!
O poder da internet sentida na pele. Veja no link:
http://boiandononilo.blogspot.com/2008/04/happy-holi.html

E antes que eu me esqueça: Happy Holi!!!

Sunday, 31 January 2010

Full-time job



Dez meses de Mila depois e eu que não queria nem ouvir falar em voltar ao trabalho e largá-la em uma creche, comecei a pirar aqui em casa com a overdose de Mila (na semana mais difícil e trabalhosa dela depois dos primeiros 3 meses de vida), com o frio lá fora que nos impede de bater muita perna e com a solidão (ou melhor dizendo, a falta de companhia com idade de dois dígitos - em anos, não meses!).

Foi aí que decidi voltar ao trabalho antes do previsto. Colando a minha licença-maternidade nas férias que sou obrigada a tirar ainda neste ano fiscal (que termina em março), voltaria à BBC no meio de maio. Mas decidi voltar antes, talvez meio de março, isso se eu encontrasse uma creche assim, de última hora.

O problema é que vaga na creche aqui é mais concorrida do que vaga na USP e, apesar de termos nos candidatado em duas creches do bairro com muita antecedência, como não tínhamos previsto nada para março, perdemos a vaga para esta data.
"Ah, mas tem uma vaga no 'toddlers group', e no fim de março ela já vai ser uma toddler", disse a atendente em uma das creches. Fiquei um tanto insegura, afinal, a Mila está longe de ser uma toddler, afinal, ela ainda não anda - nem engatinha - e não tem nem um ano de idade. Pelo que entendo, toddler são crianças entre 12 e 36 meses, mas como bem me disse a diretora dessa creche quando fomos conhecer o local, a decisão de passar alguém do 'baby group' para o 'toddler group' depende muito mais de desenvolvimento individual do que de idade.

Então na última sexta-feira fomos lá, Mila e eu, brincar por 1h30 no toddlers group para ver se a Mila estava 'apta' a entrar no grupo em março.

Quando vi aquele monte de mini-pessoinhas correndo de um lado para o outro, escalando sofá, subindo escadinha para descer no escorregadorzinho, brincando de casinha de boneca e batendo um no outro por não querer dividir o brinquedo, e aí olhei para a minha pulguinha linda, sentadinha em um canto, admirada com a movimentação, enfiando todos os carrinhos do chão na boca, senti um certo desconforto.

Larguei a Mila com os leões e fui dar uma espiada no babies room. Engatei no maior papo com a monitora italiana, vi uma mãe chegando com uma bebê com a idade da Mila e uma sacola cheia de coisas que a monitora tinha pedido para realizar atividades com os bebês, vi outro bebê tentando se equilibrar segurando em uma mesinha, tudo era a cara da Mila naquele lugar... Mas não tinha vaga ali, então voltei ao toddlers room, bem na hora do lanche.

Lá estava a Mila devidamente acomodada na ponta da mesa, em uma cadeirinha para bebês (aquelas que encaixam na mesa) - enquanto que todas as outras crianças estavam sentadas em cadeirinhas de verdade. Todos ganharam um potinho com duas fatias de pêra e um punhado de uvas passas. A Mila ganhou só as pêras, pois com as uvas ela poderia se engasgar. Torci para que ela não fizesse feio, já que às vezes ela gosta de brincar com a comida. Não desta vez, pelo menos! Ela comeu os dois pedacinhos de pêra! Todos tinham seus copinhos de água, trazidos de casa. Fui correndo pegar o dela no hall de entrada, mas foi um tanto quanto inútil, pois a Mila não consegue tomar água sozinha ainda e nenhum monitor segurou o copinho para ela.

A Mila ficou maravilhada com as crianças maiores, gostou do ambiente, mas meu sexto sentido de mãe ficou com a pulga atrás da orelha. E acabei desistindo de colocá-la no grupo. Não acho justo apressar o desenvolvimento da minha pequena só porque não aguento mais ficar em casa. E não posso pagar praticamente o salário que eu iria receber trabalhando meio-período para deixá-la em um lugar que nem é o ideal para ela.

E como bem disse minha amiga Malu, se eu voltar mais cedo ao trabalho vou acabar me arrependendo de não ter aproveitado este tempo precioso que poderia ter ficado a mais com a Mila. Afinal, ela vai crescer rapidinho e tudo isso que estou vivendo com ela vai ficar no passado.

Pois bem, então até o meio de maio estarei aqui, cozinhando, lavando, limpando, sofrendo com as crises de choro e reclamação, pegando a Mila no colo para consolá-la, acompanhando cada passo de seu desenvolvimento, dando muita risada com suas travessuras, indo para as aulas de natação, saindo para passear com ela e aproveitando cada segundo ao lado de uma das criaturas mais importantes da minha vida! E acho que foi a decisão certa!

Wednesday, 20 January 2010

Que pé gostoso!

Andamos meio ocupados, aproveitando o calor e revendo amigos queridos no Brasil, mas já voltamos à geladeira londrina, hoje com 5ºC. Nos últimos dois dias tenho me sentido um chef de restaurante tentando satisfazer um cliente para lá de exigente. A Mila resolveu fechar a boca e ando fazendo malabarismos para enfiar alguma caloria além de leite goelinha abaixo.

No jantar, preparei um verdadeiro banquete, com formatos e texturas diferentes, para ver se a pequena se empolgava: arvorezinha de brócolis e um pedaço de cenoura cozida (ela está na fase que não quer mais saber de ser alimentada com papinha na colher), um pedaço de truta (temperada com limão, alho, manteiga e ervas), e um pouco de purê com batata, cenoura e maçã, para pegá-la em algum momento de distração... Depois de uma hora, muita brincadeira com o brócolis e a cenoura, vários pedacinhos de peixe engolidos e o purê ter virado sobremesa com um pouco de iogurte, até que ela comeu! Sobrou pedaço de comida no cadeirão, mesa, calça da mãe, pantufa da mãe, meia refeição no chão e uma Mila toda lambuzada, mas parece que ela foi dormir satisfeita (depois de uma última mamada, claro)!

Ufa! Amanhã começa outra batalha! Êta fase! Isso porque ela era tão boa de garfo! Talvez eu devesse incluir pé de Mila no menu:

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